Padrão de vida do brasileiro pode ficar estagnado até 2020

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dinheiro-830x553Após fechar 2014 em queda de 0,7%, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro está previsto para cair 3,5% este ano, com previsão de queda também para 2016, quando está previsto para 2,1%. A expectativa é que o PIB só torne a subir à partir de 2017, crescendo em uma média de 1% até 2020.

A soma desses fatores pode deixar a renda per capita e o padrão de vida dos brasileiros congelados até 2020. Em contrapartida, a pobreza deve aumentar no período. É o que afirmam analistas econômicos em entrevista ao jornal Valor, nesta terça-feira, 3.

Para Armando Castelar, coordenador de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FGV), trata-se de uma estagnação de dez anos. “É uma década perdida”, diz Castelar.

Já o professor de Economia da Universidade de Brasília, (UnB), Jorge Abache, acredita que o país vai se recuperar a partir de 2018. No entanto, ele tem uma visão ainda mais pessimista. Para ele, o PIB vai encolher 3,8% este ano, 2,5% em 2016, e 0,4% em 2017. Só a partir de 2018, o PIB voltará a crescer, com uma estimativa de 0,1% para o ano.

O mesmo cenário pessimista também é ilustrado na avaliação de Antônio Corrêa de Lacerda, professor de Economia Política da PUC e sócio-diretor da ACLacerda Consultores. Segundo Lacerda, entre 2011 e 2014, o PIB per capita brasileiro cresceu a uma média de 1,2%. Com essa projeção, a estimativa é que essa média leve 59 anos para dobrar. “No fundo, é decepcionante”, diz Lacerda.

Segundo Lacerda, o cenário internacional é desfavorável e o governo esgotou os instrumentos usados para estimular o mercado doméstico, como a expansão do crédito e dos gastos públicos.

Medidas para contornar o problema

Os analistas apontam algumas saídas para essa situação. Segundo Castelar, o governo deveria concentrar os esforços no investimento para aumentar a produtividade. “O nível da atividade está restrito porque a confiança está em baixa.”

Já Lacerda acredita que o setor industrial é crucial para a expansão econômica. “Nesse sentido, o câmbio que joga contra o per capita em dólares e contra o PIB em valores correntes, é favorável ao crescimento no médio e longo prazo.”

Arbache, por sua vez, afirma que o atual desafio é encontrar meios de apaziguar o pânico gerado pela contração e preservar algumas políticas, como a de combate à fome e à desigualdade. Segundo ele, o país está prestes a passar por um momento de ruptura similar ao que antecedeu o fim do período de superinflação.

“O regime fiscal está, talvez, jogando sementes para um novo período que vai ser a base para voltar a fazer crescer o PIB per capita. Muito mais importante do que crescer, é crescer de forma sustentada, com políticas fiscal e monetária coerentes”, avalia Arbache.

 

Fonte: Opinião&Notícia

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