Otimismo do mercado fincanceiro é semi-irracional

Um vírus está se espalhando pelos mercados financeiros – e não é o da gripe. Investidores por todo o mundo foram atacados por um acesso de otimismo, quando os mercados de ações de Nova York a Tóquio atingiram picos vistos pela última vez há alguns anos. O VIX, um indicador do medo dos investidores, caiu a seu nível mais baixo desde 2007. Essa ebulição tem fundamento?

Até certo ponto. Há três razões para se sentir mais otimista em relação à economia mundial. Primeiro, vários desastres foram evitados. Os políticos europeus se mostraram determinados a salvar a moeda única. Os políticos americanos evitaram despencar no “abismo fiscal”. Uma segunda razão para comemorações vem do ativismo dos bancos centrais. Em setembro o Banco Central Europeu prometeu comprar títulos ilimitadamente a fim de manter o euro de pé. Em seguida o Fed prometeu manter as taxas de juro baixas até a taxa de desemprego americana cair abaixo dos 6,5%, junto a compras mensais de títulos sem limites de valor total. Evidências de que o crescimento possa estar se acelerando, pelo menos em alguns lugares, fornece a terceira razão para otimismo. Grande parte das boas notícias vem da China, onde o crescimento do PIB disparou nos últimos meses de 2012, de 7,4% para 7,9% em relação ao trimestre anterior.

Essas são boas razões para se sentir melhor em relação aos prospectos da economia mundial, mas é necessários relativizá-los. Os políticos podem ter evitado catástrofes, mas ainda há falhas em suas políticas. O prospecto de ativismo por parte do banco central não é tudo isso que se diz por aí.

A maior razão para cautela, no entanto, se encontra no intervalo entre o otimismo do mercado financeiro e a realidade econômica. Esse intervalo é maior na Europa. O último acesso de otimismo nos mercados vem em boa hora, mas os governos não deveriam se deixar infectar por uma complacência perigosa.

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