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Os Estados Unidos perdem o status de porto mais seguro do mundo

A qualificação dos títulos do Tesouro norte-americano passou de “AAA” para “AA ”, diante do crescente endividamento da maior economia do mundo, que chegou a US$ 15,1 trilhões…

Washington — O que todos temiam aconteceu. A agência de classificação de risco Standard and Poor’s (S&P) rebaixou ontem a nota da dívida pública dos Estados Unidos, fato inédito desde 1941.

A qualificação dos títulos do Tesouro norte-americano passou de “AAA” para “AA ”, diante do crescente endividamento da maior economia do mundo, que chegou a US$ 15,1 trilhões, e do pesado deficit no orçamento do país. Com esse selo, os EUA ficam abaixo do Reino Unido, Alemanha, França e Canadá.

A S&P avisou que colocou os EUA sob “perspectiva negativa”. Ou seja, pode fazer uma nova avaliação da situação fiscal do país, também para baixo.

“O rebaixamento reflete a nossa opinião de que o plano de consolidação fiscal com que o Congresso e o governo concordaram recentemente fica aquém do que, em nossa visão, seria necessário para estabilizar a dinânima de médio prazo da dívida”, frisou.

A Casa Branca reagiu à decisão e alegou “falhas profundas e fundamentais” no processo de avaliação da agência.

O rebaixamento, que também reflete a disputa política nos EUA, veio logo depois do fechamento dos mercados, mas seus reflexos serão sentidos com vigor na próxima segunda-feira, mesmo com os títulos norte-americanos continuando como principal parâmetro para a formação de preço dos papéis emitidos pelos governos de todo o planeta.

A medida afetará, ainda, a imagem já desgastada do presidente dos EUA, Barack Obama, que aproveitou, ontem, o primeiro bom número da economia em várias semanas — a criação de 117 mil postos de trabalho no país — para mandar um recado: “Quero que o povo norte-americano e os nossos sócios em todo o mundo saibam que vamos superar todas as dificuldades. As coisas vão melhorar”.

Ciente de que a sua liderança ficou abalada diante das dificuldades da Casa Branca em aprovar o aumento do teto da dívida do país no Congresso, ele ressaltou que, apesar de um “ano tumultuado”, a economia registrou saldo positivo no mercado privado de trabalho pelo 17° mês consecutivo.

Com isso, a taxa de desemprego caiu 0,1 ponto percentual, para 9,1%, um alívio em meio em pessimismo que tomou conta do planeta nas últimas semanas.

Apesar da comemoração, Obama reconheceu que ainda há muito por fazer, pois 8 milhões de trabalhadores no país estão sem ocupação desde que foram vitimados pela recessão iniciada no fim de 2007 e agravada depois da quebra do Banco Lehman

Brothers, em setembro de 2008. “Precisamos criar um ciclo autossustentável, no qual as pessoas estejam gastando, as companhias estejam contratando e nossa economia esteja crescendo”, afirmou.

Não satisfeito, acrescentou: “A minha preocupação agora, o meu foco, é o povo norte-americano. Temos de levar os desempregados de volta ao emprego, aumentar seus salários e reconstruir a sensação de segurança que desapareceu nos últimos anos”.

O setor público, no entanto, continuou cortando vagas pelo nono mês consecutivo. Foram fechados 37 mil postos, quase todos no estado de Minnesota.

Ainda mais vulnerável

Washington — A dívida pública dos Estados Unidos já superou um patamar em que deixará o país mais vulnerável e sujeito a sofrer uma forte redução no ritmo do crescimento econômico. Segundo os economistas Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart, um Estado que atinge um nível de endividamento superior a 90% do Produto Interno Bruto (PIB), não importa com que tipo de modelo econômico, verá seu ritmo de expansão diminuir fortemente.

Eles chegam a essa conclusão no livro Oito séculos de delírios financeiros, publicado em 2009, no qual fazem um levantamento das crises de endividamento ocorridas em todo o mundo desde o fim da Idade Média.

Na quarta-feira, o Tesouro americano informou que a dívida bruta do país havia ultrapassado o PIB de 2010 (US$ 14,52 trilhões de dólares). Atualmente, a dívida chega a US$ 14,57 trilhões, segundo dados oficiais.

Nos últimos cinco anos, o PIB avançou relativamente pouco, cerca de US$ 1,7 trilhão, uma alta de 12,5%, enquanto a dívida pública se acelerou, superando os US$ 6 trilhões neste mesmo período, quase 73% a mais.

Ajuda para alimentos

Washington — Um total recorde de 46 milhões de norte-americanos, 15% da população dos Estados Unidos, recebeu ajuda do governo para comprar alimentos neste ano, segundo o Departamento de Agricultura.

O número foi impulsionado pelo estado do Alabama, no sul do país, duramente atingido por desastres naturais, incluindo os devastadores tornados dos últimos meses. Cerca de 1,7 milhão de pessoas receberam cupons para alimentos em maio, mais do que o dobro dos 808 mil beneficiados no mesmo período de 2010.

Outros estados com mais de 1 milhão de atendidos pelo governo sãos os que têm grande população de imigrantes, como Arizona (Sudeste), Califórnia (Oeste), Flórida (Sudeste) e Texas (Sul). Estados populosos, como Nova York, e os atingidos pelas dificuldades econômicas, como Michigan, também registraram mais de 1 milhão de beneficiários.

Para receber a ajuda, uma família não pode ter renda superior a US$ 2 mil, incluindo as economias bancárias, e não pode ter ganho que supere em 30% o patamar de pobreza fixado pelo governo ( US$ 1.174 por mês para uma pessoa e US$ 4.010 para uma família de oito pessoas). Os estrangeiros que não têm a cidadania norte-americana, mas estão legalmente nos EUA, também podem receber cupons.

 Fonte: votebrasil.com

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