Os anjos do Inferno. Coluna Carlos Brickmann

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CBA presidente Dilma é uma pessoa de sorte: quem enfrenta uma oposição tão bem-comportada, tão almofadinha, tão preocupada em não amassar a gravata, tem de agradecer aos céus. Mas nem tudo é perfeito: a oposição pode ser fofinha, mas é preciso tomar muito cuidado com alguns aliados. Se um deles lhe oferecer um cafezinho, Dilma demonstrará sabedoria se exigir que alguém o prove antes.

E quais são esses aliados tão perigosos? Pois este é outro problema: como diferenciar quem quer abraçá-la de quem apenas pretende plantar-lhe um punhal nas costas? Como os demônios, são dissimulados; como os demônios, são legião.

Não culpe o PMDB, caro leitor. O PMDB é transparente, todos sabem o que quer. Mas que é que Gilberto Carvalho, fiel entre os fiéis, ministro de Dilma, pretendia ao atacá-la? E Marta Suplicy, também ministra, que saiu atirando? E aqueles petistas radicais que assinam manifestos contra os ministros que Dilma escolheu? Não vamos fingir que estejam indignados com Joaquim Levy. Quem aceitou Sarney, Collor e Maluf, quem conviveu no Governo com Sarney Filho, César Borges, Guilherme Afif, já tem o couro curtido. Se o coronel Brilhante Ustra fosse ministro dos Direitos Humanos, aceitariam numa boa. E explicariam.

O PT rachou entre Dilma e os outros. Quem são os outros? Quem é seu chefe?

Começo com cara de fim

Dilma inicia novo Governo, tem mais quatro anos, deveria estar no auge da força política. Mas está difícil aprovar o jeitinho fiscal, o truque para driblar o superávit obrigatório que seu Governo transformou em déficit. Tomou uma surra e não conseguiu número para votar. O tamanho da divisão: dos 71 deputados do PMDB apareceram 28 na votação. Tenta de novo na terça – em cima da hora.

Um segredo especial

Há quem ataque Dilma por ter falado mal de banqueiros durante a campanha e recrutado um diretor de banco para seu Ministério. Poucos percebem, mas a presidenta é hábil e inteligenta: como inimiga dos banqueiros, tirou de um grande banco um de seus quadros mais importantes, reduzindo assim o poder da instituição financeira.

Fez o mesmo com os ruralistas, esse pessoal horroroso que insiste em produzir alimentos e em garantir boa parte das exportações brasileiras: tomou-lhes sua principal líder, Kátia Abreu.

Isso é agir intelectualmenta!

O corte de despesas

A nova equipe econômica da presidente Dilma, que começa a trabalhar algum dia desses, quando o ministro Mantega, demitido por antecipação, decidir voltar para casa, promete amplos cortes nas despesas. Pois é. O aumento de 26% que deputados e senadores decidem para si mesmos inicia os cortes negativos nas despesas. O aumento dos ministros do Supremo – que se estende por todo o Judiciário e pelo Ministério Público – alcança R$ 1 bilhão. A Defensoria Pública da União deixa os quatro prédios que hoje ocupa, nos quais paga o total de R$ 700 mil mensais de aluguel, por uma nova sede, de R$ 2 milhões mensais – sem concorrência, claro. Ah, sim: no início do ano passado, a União cedeu à Defensoria dois terrenos para a construção da nova sede. Até hoje não há nem projeto.

Façam seu jogo, senhores

Nesta semana, na quinta-feira, termina a licença de Sérgio Machado, presidente da Transpetro, de quem muito se fala no caso do Petrolão. Machado, ligadíssimo ao presidente do Senado, Renan Calheiros, já disse que vai voltar ao trabalho e reassumir seu posto. O próprio Renan vem trabalhando para sua saída – uma saída honrosa, mas ele deixaria o cargo.

Qual sua aposta, caro leitor?

Os submissos

O espantoso aumento de IPTU que o prefeito Fernando Haddad tenta impor a São Paulo (26%! Quem teve aumento salarial desse porte?) contou com o voto favorável de 29 vereadores. A propósito: para que é que uma cidade precisa de tamanha quantidade de vereadores, exceto para gastar mais dinheiro inutilmente?

Aqui vai a lista dos nobres parlamentares que viraram as costas ao cidadão que os elegeu e viraram as costas para os poderosos que têm nas mãos o poder de nomear, de oferecer cargos (e a vontade insopitável de gastar dinheiro em tinta). Os vereadores que desprezaram seus eleitores e tentam impor-lhes um brutal aumento de impostos – que só não será realizado se a Fiesp conseguir derrubá-lo no Supremo Tribunal Federal – estão em ordem alfabética, na nota seguinte.

Não vote neles!

Alessandro Guedes, PT; Alfredinho, PT; Ary Friedenbach, PROS; Arselino Tatto, PT; Atílio Francisco, PRB; Calvo, PMDB: Conte Lopes, PTB: Jooji Hato, PMDB; Jair Tatto, PT; Jean Madeira, PRB; José Américo, PT: Juliana Cardoso, PT; Laércio Benko, PHS (e esse queria ser prefeito!); Marquito, PTB; Milton Leite, DEM; Nabil Bonduki, PT; Nelo Rodolfo, PMDB; Noemi Nonato, PROS; Orlando Silva, PCdoB (aquele que comprou tapioca com o cartão corporativo do Governo, lembra?); Paulo Fiorillo, PT; Paulo Frange, PTB; Pastor Edemilson Chaves, PP; Reis, PT; Ricardo Nunes, PMDB; Ricardo Teixeira, PV; Senival Moura, PT; Souza Santos, PSD; Vavá, PT; Wadih Mutran, PP.

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