Onde Bento XVI vai morar depois da renúncia?

Quando a renúncia de Bento XVI tornar-se oficial, o ex-papa vai passar uma temporada em Castel Gandolfo, a residência papal de verão, em uma pequena cidade fora de Roma. De lá, ele voltará para o Vaticano, onde deve ficar no  convento Mater Ecclesiae, uma estrutura de quatro andares construída há 21 anos para servir como um lugar “para a vida contemplativa dentro dos muros da Cidade do Vaticano”, como descreve o site do Vaticano. De acordo com as autoridades da Igreja, Bento XVI poderá ficar lá pelo tempo que quiser.

Leia também: Último sermão de Bento XVI reúne milhares de pessoas

O Papa Bento XVI irá para a residência papal de Castel Gandolfo quando sua renúncia tornar-se efetiva. Quando a reforma no mosteiro das freiras de clausura dentro do Vaticano estiver completa, o Santo Padre vai passar lá um período de oração e reflexão.

Operários começaram a transformar o edifício em uma residência em novembro, após as freiras de clausura saírem de lá. O Vaticano não disse se as reformas no convento foram realizadas com o pontífice em mente, mas de acordo com o jornal do Vaticano L’Osservatore Romano, a decisão do papa de renunciar foi tomada “há muitos meses”.

 

‘Momento Obama’ no Vaticano?

De acordo com a revista New Yorker, que usou como base um popular site de apostas online, as probabilidades favorecem a eleição do cardeal de Gana, Peter Turkson, para assumir o papado. Ele seria o primeiro papa da África desde Gelásio I, que exerceu o mais alto cargo da Igreja Católica há mais de 1.500 anos, mas que não era negro. Desde então, vários candidatos africanos têm atraído interesse (como o Cardeal Gantin do Benin, em 1978, e o cardeal Arinze da Nigéria, em 2005), mas nenhum chegou a ser considerado um favorito entre os “papáveis”.

Desta vez é difícil de ignorar o argumento demográfico em favor de um papa não-europeu. Apenas nos oito anos do papado de Bento XVI, o número de católicos na África cresceu 21% e o número de sacerdotes 16%. Na Europa, por outro lado, o número de católicos caiu a tal ponto que a região já não é mais considerada a mais católica do mundo, nem em termos do número de fiéis, nem como porcentagem da população. A eleição de Turkson pelo Colégio dos Cardeais, a maioria dos quais ainda vêm da Europa, seria um claro reconhecimento de que a liderança da Igreja tem de refletir essa mudança de centro de gravidade. O passado da Igreja Católica está na Europa, mas seu futuro está na África e na Ásia.

Turkson também tem uma história de vida convincente. Nascido em uma família pobre, filho de carpinteiro, ele tocou em uma banda de afrobeat quando era mais jovem. Para se sustentar como um estudante de seminário em Nova York na década de setenta, trabalhou como faxineiro, e quase foi preso por policiais que o confundiram com um ladrão quando ele limpava um banco à noite.

Ele é jovem (para um cardeal) e entende de tecnologia (supostamente tem iPod e iPad). Fala sete línguas e gosta de brincar com as pessoas em suas línguas nativas. Tanto por causa da sua personalidade como do potencial de um marco histórico, alguns jornalistas começaram a chamar esta eleição papal de “momento Obama” da Igreja. Esta metáfora é apta apenas na medida em que ambos irão decepcionar os liberais que esperam por mudanças significativas. Enquanto Obama se posicionou como um reformista cauteloso, Turkson é abertamente conservador. Ele não vai diminuir a oposição ao casamento gay, o aborto, contraceptivos ou a ordenação de mulheres. 

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Deixe um comentário