Oferta inicial do Facebook pode chegar a US$ 100 bilhões

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Dinheiro ajudará a expandir a maior rede social do planeta, mas problemas com a lei podem dar início a um novo capítulo na história do Facebook.

Tudo começou como uma brincadeira. Mark Zuckerberg colocou fotos de suas colegas online, e deixou que os internautas comentassem sobre quem era a mais bonita. Oito anos depois, o Facebook é uma das maiores empresas do mundo. No dia 1º de fevereiro, a rede social anunciou planos de uma oferta pública inicial que poderia atingir valores entre US$ 75 bilhões e US$ 100 bilhões. Nesse cenário extraordinário, investidores acreditam que uma empresa comandada por um arrogante jovem de 27 anos é mais valiosa que a Boeing, a maior fabricante de aviões do planeta. Eles estão loucos?
 
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Não necessariamente. O Facebook pode, em breve, chegar a um bilhão de usuários, o que significaria uma em cada sete pessoas do planeta. No ano passado, a empresa gerou US$ 3,7 bilhões em receitas e US$ 1 bilhão em lucros líquidos. Isso está longe de ser um motivo para justificar os valores da oferta pública inicial, mas há razões para apostar que o Facebook irá justificar tamanho interesse, já que ele encontrou uma nova maneira de cultivar um instinto pré-histórico. As pessoas adoram socializar, e o Facebook facilita esse processo. Os tímidos se tornam mais desinibidos online, e os jovens e ocupados veem o Facebook como uma maneira eficiente de manter contato com as pessoas. Você pode acessá-lo pelo laptop ou por um smartphone, deitado na cama, esperando um ônibus, ou fingindo trabalhar. Você pode procurar velhos amigos ou fazer novos, compartilhar fotografias, marcar festas e trocar opiniões sobre o mais recente filme do George Clooney.
 
Quanto mais pessoas se juntam ao Facebook, maior passa a ser o seu apelo. Aqueles que entraram para a rede social (que é gratuita) têm acesso a um amplo círculo social. Aqueles que não estão no Facebook se sentem excluídos. Esse poderoso ciclo de feedback já fez do Facebook a maior rede social em muitos países, responsável por um em cada sete minutos que a população mundial gasta na internet ao redor do planeta. Seu crescimento pode estar diminuindo em alguns países ricos, e o Facebook está bloqueado na China. Mas ele continua crescendo de maneira impressionante em mercados emergentes como o Brasil e a Índia.
 
Facebook é o favorito dos comerciantes online
 
US$ 100 bilhões estão longe de ser uma pechincha, mas outras gigantes da tecnologia são mais valiosas: a capitalização de mercado do Google é de US$ 190 bilhões, a da Microsoft, de US$ 250 bilhões, e a da Apple, de US$ 425 bilhões. E as possibilidades comerciais são imensas, por três razões.
 
Em primeiro lugar, o Facebook tem um enorme conhecimento sobre seus usuários e está constantemente criando maneiras de saber mais, como a Timeline, uma nova página de perfil que encoraja os usuários a criar um arquivo online de suas vidas. A companhia explora os dados de seus usuários para descobrir o que eles gostam, e então os empurra uma série de propagandas cuidadosamente escolhidas. No ano passado, o Facebook ultrapassou o Yahoo!, se tornando o maior vendedor de anúncios online nos Estados Unidos.
 
Além disso, o Facebook é a plataforma mais poderosa para o marketing social. Poucas tentativas de venda são tão persuasivas quanto a recomendação de um amigo, logo as bilhões de interações no Facebook agora influenciam tudo, desde a música que as pessoas compram até os políticos nos quais elas votam. As empresas, assim como os adolescentes, estão descobrindo que se não estão no Facebook, estão fora do mercado. O comércio social (ou “s-commerce”) ainda está engatinhando, mas um estudo da Booz & Company afirma que vendas desse tipo totalizaram US$ 5 bilhões no ano passado.
 
Por fim, o Facebook está se tornando o verdadeiro passaporte online. Como muitas pessoas têm contas no Facebook usando seus nomes verdadeiros, outras empresas passaram a usar o login do Facebook como uma forma de identificar as pessoas online, e a rede social chegou até mesmo a criar uma moeda virtual, o Facebook Credit.
 
Nem tudo é tranquilidade nos escritórios do Facebook
 
O cenário seria capaz de criar um excesso de confiança arrogante. Mas também há duas razões para preocupação. A primeira é o desafio de deixar de ser uma start-up e tornar-se uma empresa gigante. O Facebook tem apenas 3.200 empregados, muitos dos quais se tornarão milionários. A ideia de ter que motivar empregados VIPs pode ser a explicação para a decisão de Zuckerberg de adiar essa transição por tanto tempo. Com os bilhões de dólares que a oferta pública trará, a empresa terá aumentos nas equipes e nos serviços. Depois de ter criado um serviço de email e persuadido milhões de outros sites a adicionar botões e links que permitem que usuários do Facebook compartilhem material, a empresa agora prepara um mecanismo de buscas que aumentará sua batalha com o Google, que por sua vez está incluindo informações de sua rede social, o Google+, nos seus resultados de pesquisas online.
 
O Google passou da popularidade para a rentabilidade. Apesar de todas as notícias sobre suas novas fontes de renda, o Facebook ainda é perigosamente dependente de seus anúncios. E há uma tensão entre a tarefa de atrair usuários e a de tirar dinheiro deles. O maior bem do Facebook são as informações que seus usuários consensualmente entregam a ele. Transformar esses dados em dinheiro, no entanto, irá, inevitavelmente, gerar preocupações com a privacidade. A maioria dos usuários não percebe o quanto o Facebook sabe sobre eles, e se eles começarem a sentir que a empresa está abusando de sua confiança, vão se revoltar e abandoná-lo.
 
É aqui que os outros perigos surgem – e esses devem preocupar mais gente além dos investidores. A Comissão de Comércio Federal dos EUA já forçou o Facebook a se submeter a uma auditoria externa bienal de sua política de privacidade e procedimentos na área. Além disso, há a legislação antitruste. A tecnologia é voraz e cria competidores com uma velocidade muito maior do que qualquer outra indústria (alguém se lembra do MySpace ou do AltaVista?). Por outro lado, efeitos de rede ajudam a criar monopólios. Nenhuma outra rede social chega perto do tamanho do Facebook, e em breve a empresa será rica o suficiente para comprar suas rivais. Muitas empresas sentem que não há nenhuma opção a não ser aceitar esse cenário, e se incomodam com o tamanho da influência do Facebook.
 
Por enquanto faz sentido deixar o Facebook quieto. Seus usuários podem migrar se algo melhor aparecer, e sua guerra com o Google está apenas no começo. Se alguma das duas empresas agir de maneira predatória, ela deve ser punida. Mas assim como a Microsoft colidiu com aqueles que confiavam nela, o mesmo deverá acontecer com as novas gigantes da internet. Tudo indica que o Google será alvo dos governos europeus em breve, e o mesmo deve acontecer com o Facebook algum dia. O filme sobre o Facebook já foi feito e lançado, mas sua história está se tornando cada vez mais intrigante.

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