O X marca o fim da linha?

timthumb.phpNo início de 2008, com negócios avaliados em US$27 bilhões, o empresário Eike Batista dizia que seu maior sonho era tornar-se o homem mais rico do mundo dentro de cinco anos. Cinco anos depois, Eike se vê numa luta desenfreada para salvar um patrimônio que implode, como num passe de mágica. O que antes representava o potencial da multiplicação de riquezas, o X na sigla de todas as empresas de Eike hoje mais parece marcar o lugar do rombo, do potencial de calote ou do final da linha.

As empresas de Eike Batista simplesmente não estão entregando o que prometeram em termos de produção e faturamento. Na segunda-feira, 1º, a petroleira OGX, o carro-chefe do grupo X, anunciou que pode parar a operação de Tubarão Azul, seu único campo de petróleo em produção, já no ano que vem. Nesta terça-feira, 3, as ações da petroleira desabaram 19,6%, arrastando consigo outras empresas do grupo, que também recuaram por estarem interligadas. Com a perspectiva de produção menor na OGX, economistas e analistas de bancos reduziram a projeção para o preço-alvo das ações da petroleira, e a agência de classificação de risco Standard & Poor´s rebaixou seu rating, de “B1” para “CCC”, uma perspectiva negativa que indica alto risco de calote. A agência Moody´s também rebaixou a nota da empresa esta semana. O rating de “CCC” é o quarto pior em uma escala com 21 classificações. 

chargeeike-300x193Ao sustentar a decisão de rebaixamento, a S&P´s acrescentou que a empresa deverá enfrentar um cenário de liquidez apertada nos próximos 12 a 18 meses e terá de buscar alternativas adicionais para o cumprimento de obrigações operacionais e financeiras. Desde que a OGX abriu seu capital em junho de 2008, a desvalorização de seus papéis atingiu 95,93%. Essa desvalorização afetou outras ações do grupo, como os papéis da MMX, braço de mineração do grupo X, e as da LLX, empresa de logística.

A bolha das expectativas criadas pelo mercado, que sempre apostou no carisma e na vontade do empresário, começa a estourar. Três conselheiros independentes do grupo X pediram demissão nas últimas semanas, entre os quais Pedro Malan, ex-ministro da Fazenda. O império X enfrenta, além de grandes perdas na Bolsa, uma séria crise de confiança. Especialistas já veem como provável que a OGX precise de mais financiamento externo para amortecer a falta de caixa no fim de 2013 e começo de 2014. A reestruturação dos negócios do empresário também parece  inevitável.

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