O tal do gigante fraquejou e voltou para a cama!

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Por Claudio Schamis
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dilma150-300x180Sim, é com muita tristeza e pesar que inicio minha coluna. Sonhei que escreveria um texto otimista, que visse no amanhã pelo menos um resto da esperança que nos foi roubada há 12 anos. Agora sabemos que por mais quatro anos ela nos será confiscada.

Serão 1.460 dias de pura agonia até as próximas eleições.

É óbvio, né? Ou você acha que em 2015 Dilma será uma nova mulher, uma nova presidente? Você realmente acreditou que agora Dilma irá lutar com todas as garras para acabar com a corrupção que está entranhada em seu governo e que vem desde o governo Lula? Você realmente acreditou que ela irá exigir punição rigorosa para os envolvidos? Você ainda acredita que ela vai construir as tais 6 mil creches que foi promessa do seu governo em 2008?  Você engoliu o atraso e achou normalíssimo, né? Aliás, como todas as outras promessas de mobilidade, de saneamento, de saúde, educação…

Seria leviano de minha parte pensar que, se o Aécio tivesse sido eleito, de uma hora para outra a corrupção iria acabar, a inflação iria desaparecer e não teríamos mais problemas. Não é isso. Mas Aécio simbolizava uma esperança, uma mudança.

Os quase 50 milhões de votos que Aécio teve representam isso. A esperança. Só que ela foi aniquilada pelos poucos mais de 50 milhões de votos que Dilma teve corroborados pelos quase 7 milhões de votos em branco e nulos que ajudaram a elegê-la novamente. Em outras palavras, o tal do gigante fraquejou e voltou para a cama.

Sei que esses eleitores descrentes dos políticos acham que anulando ou se abstendo de votar em A ou B iriam mudar alguma coisa de alguma forma. E de alguma forma eles ajudaram a não mudar nada. Isso de achar que não votando em ninguém a pessoa está lavando suas mãos para o que virá é a mesma coisa que se olhar no espelho com uma máscara de algum personagem e acreditar que você é esse personagem. Ledo engano. Acreditem, suas mãos estão “sujas”, ou para não ficar pesado, comprometidas de toda a maneira. E aqui eu abro aspas e faço um mea-culpa, pois em algum momento cheguei a defender o voto nulo, mas olhando por outro prisma, vi que assim estaria eu assinando de alguma forma uma sentença, para o bem ou para o mal. Infelizmente prevaleceu o mal. Mas eu tentei, Aécio.

E como eu aprendi, muitos vão ainda aprender na pele, no bolso, na qualidade de vida, que votar em branco ou se abster é uma forma de tirar o corpo fora e simplesmente ligar o “que o país se exploda”. Mas esquecem-se de que se explodir, todos explodem. E foram justamente esses que anularam e se abstiveram que fariam a tal da diferença necessária para tentarmos algo novo. Pois como estamos há 12 anos é que não poderia mais ser. Mas mesmo assim… Deu no que deu. Parabéns a você que quis isso.

Você que votou nela, ela, Dilma, e toda a corja que vem no pacote não me representam. Queria deixar somente registrado.

Mas ainda não consigo entender isso. É difícil de digerir. Com tudo estampado nos jornais, políticos presos, corrupção mais que comprovada, pessoas morrendo nas filas dos hospitais, promessas não cumpridas. Por favor, alguém explique isso. Estou com um misto de sentimentos até difíceis de se definir em palavras.

Para a velha presidente, serão tempos mais difíceis, um escândalo de mais de R$ 10 bilhões desviados da Petrobras para enriquecer políticos das mais variadas estirpes, que precisa ser esclarecido e tirado a limpo, mas que temo e tenho a certeza farão das tripas coração para blindarem pelo menos a própria presidente e o ex-presidente Lula, acusados pelo doleiro Yousseff de total conhecimento no fato.

Além disso há um país completamente dividido, um Congresso mais fragmentado no qual o PT encolheu e a oposição ficou mais forte, a inflação tendo que ser domada (apesar da presidente achar que ela já está domada) e uma promessa de reforma política. Sem falar na rejeição ao partido e à presidente, mas que não foi suficiente para tirá-la do poder.

Esperanças eu não tenho nenhuma. Certezas? Tenho, e muitas. Mas são certezas das quais não me orgulho nem um pouco. Mas há uma diferença entre ter uma certeza e torcer contra. Nunca torci contra o meu país. Nunca torci contra o PT, como muitos podem pensar. Afinal, se eles fizessem o bem, seria para todos.

Queria e quero que o país prospere, cresça e proporcione uma vida mais digna a todo cidadão brasileiro. Um país que ofereça uma educação capaz de transformar as pessoas, uma saúde digna do ser humano. Um país que olhe para o seu povo com carinho e que respeite os direitos assegurados a nós pela nossa própria Constituição. Mas não vejo, depois de 12 anos com as mesmas pessoas no poder, como haverá uma mudança tão drástica que me faria mudar de ideia. Já sabemos como pensam, agem e se reproduzem.

Mas falhamos quando tínhamos a faca na mão. O queijo? Esse foi roubado pelos ratos que insistem em ficar. Fazer o quê? Agora é aguentar.

Boa sorte para o Brasil, ainda mais agora com José Dirceu autorizado a cumprir o restante da pena em casa e com Pizzolato solto na Itália.

Salve as baleias. Não jogue lixo no chão. Não fume em ambientes fechados.

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