O que Maduro, Bush, Serra e William Waack têm em comum?

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Por Claudio Carneiro – opiniaoenoticia.com.br
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Durante entrevista coletiva em Brasília sobre o Orçamento, a ministra do Planejamento Miriam Belchior cometeu um ato falho que demonstra claramente quem ela considera que dá as cartas no Planalto. Ao se referir ao último ano deste mandato da presidente Dilma Rousseff, ela disparou o “último mandato da presidenta Lula”. A gargalhada dos jornalistas foi generalizada e ela sequer notou os dois enganos.

Um dia antes, o ministro Paulo Bernardo teria cometido outro ato falho ao perguntar se seria Aécio Neves que ia salvar a economia brasileira – talvez reconhecendo que ela estivesse mesmo muito mal.

Compreendido pelas pessoas comuns como um pequeno erro, o ato falho era visto por Sigmund Freud como o intuito consciente da pessoa em buscar a verdade – como o marido que chama a mulher pelo nome da amante. Em seu menosprezo pelos países sul-americanos, o ex-presidente Reagan nos visitava certa vez quando se disse muito satisfeito de estar na Bolívia. Alertado de que estava no Brasil, ele disse que havia se confundido com o seu próximo destino. Se enganou novamente, pois seguiria para a Colômbia. Referindo-se à Casa Branca, George Bush (pai) chegou a dizer que ali havia feito sexo (‘had sex”) – para depois se corrigir e falar em “had set backs” (retrocessos).

Jornalistas ao vivo, na TV ou no rádio, também cometem muitos atos falhos. Essa é a desvantagem de se ter mais informação do que se precisa. Mas é também a vantagem de dizer a verdade, mesmo sem querer. Em mensagem aos eleitores pelo Facebook, José Serra escreveu: “Feliz Natal a você que me acompanha. Espero que todos os meus desejos se realizem”. Serra, aliás, mereceria um capítulo à parte na Enciclopédia do Ato Falho, se ela existisse: “Estão querendo tirar o aborto da pauta. Eu nunca disse que sou contra o aborto, porque sou a favor o aborto. Ou melhor, sou contra o aborto”, corrigiu em seguida.”

Até o experiente e respeitado jornalista William Waack cometeu falha grosseira com a repórter Zelda Mello ao chamá-la para um “vivo” e trocar o sobrenome dela por um termo escatológico. Cercado por jornalistas, o presidente do DEM, José Agripino,  foi incisivo:  “O partido tem uma história clara de não convivência com a ética”.

Ex-presidente do STF, Gilmar Mendes foi acusado de gastar muito dinheiro em viagem internacional e se defendeu, mas acabou se entregando: “Minha relação com o presidente (Lula) sempre foi muito cordial. O uso dessa informação que é falsa – sobre alguma irregularidade na minha viagem a Berlim – e o uso dessa informação por parte do presidente me pareceu absolutamente adequada e reveladora de qualquer outra intenção sub-reptícia”.

 


Nicolás Maduro, ainda em campanha para presidente, se referiu a Cristo dizendo: “Ele multiplicou o pênis, ou melhor, me perdoem a expressão, os pães e os peixes…”

Com o ato falho o desejo do inconsciente é realizado. Ele revela os segredos inconfessáveis da mente. O psicanalista francês Jacques Lacan disse sobre o ato falho: “Nossas palavras que tropeçam são palavras que confessam”.

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