O que Lady Gaga e Madre Teresa de Calcutá têm em comum?

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Existem diferenças óbvias entre Lady Gaga e Madre Teresa, mas ambas são carismáticas, veneradas e excelentes comunicadoras.
 
Existem diferenças óbvias entre Lady Gaga e Madre Teresa de Calcutá — aquele vestido de carne crua que a cantora usou durante o MTV Video Music Awards não me deixa mentir. Enquanto Lady Gaga troca de um traje bizarro para outro diversas vezes ao dia — às vezes 20 vezes em uma apresentação — , Madre Teresa vestia o mesmo modesto sári branco com três listras azuis — refletindo seus votos de pobreza, castidade e obediência.

Mas as diferenças são o que menos importa. As semelhanças entre as duas — sim, elas existem — são bem frequentes. A começar com o fato de que as duas são veneradas. Madre Teresa construiu os Missionários da Caridade e conseguiu expandi-los para um alcance global em mais de 100 países. O culto a Lady Gaga deve render à cantora US$ 100 milhões em 2011. Continuando neste ritmo, ela logo vai superar grupos como U2.

As duas também são modelos para líderes de corporações, de acordo com duas recentes publicações — “Mother Teresa, CEO”, dos executivos Ruma Bose e Lou Faust, e “Lady Gaga: Born This Way?”, um estudo escrito por Jamie Anderson and Jörg Reckhenrich (ambos da Antwerp Management School) e Martin Kupp (da European School of Management and Technology).

E não é só isso. As duas trocaram seus nomes quase impronunciáveis por uns mais atrativos. Agnes Gonxha Bojaxhiu se tornou Madre Teresa, e Stefani Germanotta virou Lady Gaga. E as duas conseguiram criar uma marca simples e clara, que, coincidentemente, as identificavam com seu público. Madre Teresa ajudou os pobres e doentes e Lady Gaga apoia pessoas autênticas ou fora do comum. Ela mesma se classifica como “uma aberração, uma dissidente, uma alma perdida procurando companheiros”. Uma mensagem reconfortante não apenas para os gays, mas também para a maioria dos adolescentes.

Outra semelhança é que o trabalho duro ajudou ambas a ganharem fama. Madre Teresa acordava todos os dias às 4h40 da manhã. Lady Gaga, por sua vez, trabalha todos os dias do ano, exceto no Natal, quando tirou folga para ficar com os pais.

E, sendo comunicadoras brilhantes, suas carreiras foram muito impulsionadas pelo diálogo. Madre Teresa era capaz de se comunicar com um leproso em estado terminal com o mesmo cuidado e atenção do que com um doador rico. Lady Gaga é “uma das primeiras pop stars a ter verdadeiramente construído uma carreira por meio da internet e das mídias sociais.”

As duas têm carisma. As histórias universais de Lady Gaga constroem envolvimento emocional com seus fãs. A sua trajetória pessoal de garota esquisita da escola para o envolvimento com seus fãs (seus “monstrinhos”), e a sua missão de promover os direitos dos gays e celebrar a expressão pessoal.

“Apesar de (o carisma) ser uma habilidade valorizada pelo mundo dos negócios, ao mesmo tempo é uma característica que torna a pessoa vulnerável a ataques, explica Reckhenrich. Lady Gaga já foi acusada de falta de autenticidade, e um juíz tradicional não teria dificuldades em considerá-la culpada.

A própria Madre Teresa recebeu críticas ferinas também. No livro “The Missionary Position”, o polêmico ateu Christopher Hitchens a chamou de “Hell’s Angel” e a censurou por ter propagado um catolicismo radical e por ter aceitado doações de pessoas como o “Papa Doc”, antigo ditador do Haiti.

De qualquer forma, carisma é uma qualidade importante nos negócios, é o que essas celebridades podem mostrar. Não existe mais lugar no mundo para chefes antiquados e durões, espertos e bons em dar ordem. A maioria dos empregados modernos responde melhor a um chefe que se comunica calorosamente. Indra Nooyi, da PepsiCo, por exemplo, escreve para os pais de seus gerentes para agradecê-los por terem educado tão bem uma criança. Carisma é um aprendizado difícil, mas não é uma atitude impensável procurar orientação na vida de estrelas.

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