Saúde  

O papel dos antibióticos na obesidade

timhumbSacos de antibióticos em pó que prometem estimular o crescimento de gado e aves são amplamente vendidos em lojas de produtos agrícolas. Isso porque décadas de pesquisa têm demonstrado a eficácia desses antibióticos no ganho de peso de animais destinados ao consumo humano.  As drogas atuam como uma espécie de “superalimento” para produzir carne farta e barata. Mas e se essa carne somos nós?

Recentemente, um grupo de pesquisadores começou a questionar se os antibióticos usados para engordar animais podem ter o mesmo efeito nos humanos que os consomem. Novas evidências mostram que a epidemia da obesidade dos Estados Unidos pode estar conectada ao alto consumo de antibióticos, entre os quais aqueles usados para alimentar animais.

Em 2002, os americanos eram cerca de 2,5 cm mais altos e 11 quilos mais pesados do que na década de 1960, e mais de um terço são agora classificados como obesos. Mudanças na dieta e no estilo de vida são os principais culpados, mas alguns cientistas estão investigando outras possíveis razões para essa transformação impressionante do corpo americano. Muitos acreditam que os antibióticos podem ser o fator X,  ou pelo menos um desses fatores.

Martin J. Blaser, diretor do Programa do Microbioma Humano e professor de medicina e microbiologia na Universidade de Nova York, está explorando esse mistério. Enquanto animais de criação recebem doses significativas de antibióticos em seus alimentos, até o momento a maior parte da carne que chega à mesa dos americanos contém pouco ou nenhum antibiótico. A maior exposição dos humanos a essas drogas, portanto, ocorre através dos medicamentos prescritos para tratar infecções comuns. Em média, crianças americanas recebem um tratamento com antibióticos a cada ano. Segundo Blaser, essas altas doses, junto a uma alimentação mais calórica, podem estar afetando o metabolismo das pessoas.

Blaser e seus colegas passaram anos estudando os efeitos de antibióticos sobre o crescimento de filhotes de ratos. Em um experimento, seu laboratório criou ratos com uma alimentação de alto teor calórico e antibióticos, como acontece com muitos humanos. Os resultados do estudo foram dramáticos, particularmente em ratos fêmeas. Elas ganharam cerca de duas vezes mais gordura corporal do que as fêmeas do grupo de controle, que comiam a mesma comida, mas não recebiam os antibióticos. “Para as fêmeas, a exposição aos antibióticos foi o gatilho que converteu mais dessas calorias extras da dieta em gordura, enquanto os machos cresceram mais, tanto em termos de músculo como de gordura”, escreveu Blaser. “As observações são consistentes com a ideia de que só a dieta moderna de alto teor calórico é insuficiente para explicar a epidemia da obesidade e que os antibióticos podem estar contribuindo”.

 

 

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