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O papa Francisco e o ‘lobby gay’

A Igreja Católica ensina que o homossexualismo é um grave pecado. Mas a existência de bispos homossexuais ativos na Curia Romana, centro nervoso da burocracia do Vaticano, é considerada um segredo mal guardado há séculos. No último dia 6 de junho, o segredo veio a público de maneira inesperada, na fala de ninguém menos que o próprio chefe da Igreja, o papa Francisco.

Representantes da Confederação de Religiosos da América Latina e Caribe tiveram uma sessão de perguntas e respostas com o papa naquela quinta-feira, 6. Em seu resumo do discurso do papa, os representantes alegaram (e as autoridades presentes em seguida confirmaram) que Francisco teria dito: “Há pessoas santas [no Vaticano], mas também há um fluxo de corrupção… o lobby gay é mencionado [no relatório confidencial deixado por seu antecessor, Bento VXI], e é verdade, ele está lá. Precisamos ver o que podemos fazer”.

Robert Mickens, correspondente no Vaticano do semanário católico britânico The Tablet, diz que o papa se expressou mal e que a definição normal de um “lobby”, um grupo organizado de pessoas empurrando uma agenda específica, não se aplica à Curia. Ele prefere chamar o “lobby gay” do Vaticano de uma subcultura gay.

“Muitas dessas pessoas no Vaticano que são gay são extremamente conservadoras”, diz Mickens. “Estas não são as pessoas que querem mudar os ensinamentos da Igreja sobre a homossexualidade – muito pelo contrário.”

Francisco desmentiu o Vaticano

As observações do papa confirmaram notícias veiculadas na mídia há quatro meses sobre um poderoso lobby gay no Vaticano que disputa por poder e influência. À época, o Vaticano havia denunciado a notícia como difamatória e completamente falsa. As notícias na mídia mencionavam uma investigação secreta do escândalo Vatileaks realizado no ano passado por três cardeais, que teriam descoberto o envolvimento de significativos grupos de gays dentro da Curia. A chegada de um relatório sobre essa investigação à mesa do Papa Bento XVI parece ter sido a gota d’água que precipitou a sua renúncia. Um dos seus conselheiros mais próximos ??é apontado em muitos desses boatos. Tudo isso é conhecido por todos os envolvidos com a política da Igreja, mesmo que não seja muito comentado.

O que torna a fala do papa tão impactante para o Vaticano é que qualquer sacerdote católico sexualmente ativo é uma potencial vítima de chantagem, e os padres que sabem das atividades ilícitas uns dos outros podem ser obrigados a conviver em uma atmosfera de segredos, intrigas e culpa. Sempre houve padres gays, bispos e até cardeais, mas nos últimos 30 anos, eles parecem ter assumido uma proporção crescente do clero, na medida em que a regra do celibato se torna mais controversa e difícil de ser aplicada.

Francisco fez apenas uma rápida referência a este fenômeno dentro da Igreja em seu discurso do dia 6. Ainda assim, o papa que emerge deste episódio é um homem humilde, que acredita, no entanto, ter sido escolhido por Deus. A primeira dessas qualidades é incomum em papas. Acima de tudo, ele parece ter pouca paciência para pessoas que veem a religião como uma questão de observância cega.

 

 

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2 comentários para “O papa Francisco e o ‘lobby gay’”

  1. ⇒ Brenner disse:

    Se um homem coabitar sexualmente com um varão, cometerão ambos um ato abominável; serão os dois punidos com a morte; o seu sangue cairá sobre eles. — Levítico, 20:13-14…nem papa…nem gays…nem políticos. respeito a todos como pessoas…no entanto, jamais darei meu assentimento à suas práticas nojentas.

  2. ⇒ Brenner disse:

    Se um homem coabitar sexualmente com um varão, cometerão ambos um ato abominável; serão os dois punidos com a morte; o seu sangue cairá sobre eles. — Levítico, 20:13-14