Saúde  

O mito da comida orgânica

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vegetais-e1449756825549A patologista e geneticista de plantas Pamela Ronald, 54, que fez doutorado na Universidade da Califórnia em Berkeley, diz que o desprezo por alimentos geneticamente modificados é errado. Ela é casada com um fazendeiro que produz alimentos orgânicos. A pesquisadora fala sobre assuntos polêmicos e diz receber ameaças agressivas. “Eu acho triste um cientista sair do laboratório para comunicar ao público o consenso de uma área e então se tornar vítimas de ataques.” Segundo ela, as pessoas apelam aos orgânicos por conta de um medo antigo e que não tem lógica.

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Sobre a diferença entre sua profissão e a do marido, ela diz: “meu marido e eu temos o mesmo objetivo: alimentar a população crescente sem destruir ainda mais o ambiente. Fazendeiros orgânicos usam todo tipo de técnica, exceto engenharia genética.” Ela explica que quando ele começou a plantar orgânicos, há 35 anos, não havia engenharia genética na área da agricultura, só na medicina. “Até onde sei ninguém reclama dos medicamentos feitos com engenharia genética. O fato de ser diferente na agricultura não tem lógica. É um medo antigo. Naquele tempo era comprensível , era uma tecnologia nova. Agora é só marketing, na minha opinião, uma tentaiva de fazer com que as pessoas comprem mais orgânicos.”

Para a geneticista, é muito melhor o alimento ser geneticamente modificado do que receber pesticidas. “Os consumidores estão clamando por um milho não modificado porque eles acham que é mais saudável. É a lei da oferta e da procura. O fazendeiro pode produzir aquilo, mas será 50% mais caro e ele terá de usar pesticidas mais velhos e mais tóxicos”.

Sobre o uso do glifosato, um herbicida vendido pela Monsanto para ser usado em transgênicos, ela tem uma opinião polêmica. “Parece que o glifosato foi ótimo para a imagem dos orgânicos e péssimo para os organismos modificados. Muitas pessoas quando ouvem falar de organismos geneticamente modificados elas pensam em glifosato. Mas o glifosato é menos tóxico que sal de cozinha. Se você olhar a dose letal, a dose de glifosato seria altíssima. Ele ajuda muito a controlar as ervas-daninhas.”

Recentemente, a OMS disse que o glifosato é “provavelmente cancerígeno para seres humanos”. “Há muitos na lista, como café ou carne vermelha. Ele não causa câncer – é um possível ou provável cancerígeno, mas como meu pai diz, ‘tudo em moderação’. Você não vai lá e bebe glifosato. Não faz sentido. A OMS não tem nenhum dado novo. Não fala da dose. É algo um pouco confuso. Supondo que ele fosse banido, os possíveis substitutos são ainda mais tóxicos”, afirma.

Fonte: Opinião&Notícia

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