Brasil  

O Ministro e a Polícia Federal

Curiosa a situação do Ministro Tarso Genro. Quando foi deflagrada a Operação Satiagraha, com a prisão do banqueiro, a primeira reação da autoridade foi a de elogiar a operação. Em momento seguinte, eximiu-se de defender a atuação da Polícia Federal naquela investigação.Ou seja, tudo depende do Ibope. A operação foi mantida em sigilo, e é provável que o Ministro a desconhecesse. Quando os holofotes foram acesos, no entanto, lá estava S.Exa pronto a dar entrevistas. Quando começaram as críticas sobre supostos “excessos” da PF, S.Exa. já estava mais cauteloso.A Revista Carta Capital de duas semanas atrás denuncia o atual Diretor da Polícia Federal. Segundo publicado, na época em que o atual Diretor era superintendente no RS, a PF teria torturado uma mulher. Era a empregada doméstica da sogra do atual Diretor da PF, nomeado pelo Ministro Tarso Genro. A infeliz foi apontada como suspeita de um assalto ocorrido na casa da sogra do então superintendente da PF. O “interrogatório” foi feito na Polícia Federal, embora fosse atribuição da Polícia Civil do RS. A empregada, hoje, está cega. Segundo a denúncia, consequência da tortura.De outro lado, o Delegado Protógenes está sendo investigado pela Corregedoria da Polícia Federal por suposto “vazamento” da operação Satiagraha. Só que o relatório de investigação do vazamento também vazou…. e vazou da própria corregedoria da PF. Luís Nassif já fez uma análise daquele relatório, apontando suas falhas e o direcionamento contra a atuação do Delegado Protógenes.
Frente a tudo isso, onde anda o Ministro da Justiça? Apareceu apenas quando a operação foi elogiada. Quando passou a haver crítica, quando houve denúncia contra o Diretor da PF, quando houve denúncia contra a própria Corregedoria da PF, o Ministro fica em silêncio.
Àlias, poruqe o tratamento diferenciado
O banqueiro Daniel Dantas depôs agora à tarde na CPI dos Grampos.
Quando do depoimento do Delegado Protógenes, foi preparda uma apresentação em “power point” para ser passada no início da sessão, onde eram apontadas supostas contradições do Delegado. A iniciativa valeu a interveção veemente do Deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) que indagou qual o motivo da tentativa de intimidar o delegado.
A seguir, a Polícia Federal afastou o Delegado Protógenes de suas funções sob o argumento de que estava exercendo atividade partidária.
Agora, no depoimento do banqueiro, não houve apresentação em “power point”.

Por Castagna Maia – Advogado

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