O jardim secreto de Dilma!

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Por Claudio Schamis
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Tirando a crise econômica, o desemprego alto, o escândalo da Fifa, o escândalo da Petrobras – óbvio – a péssima audiência de “Babilônia”, o dólar acima dos R$ 3,00, o aumento da violência urbana, o aumento desenfreado dos preços, a alta absurda na conta de luz, o preço quase dobrado no valor dos combustíveis por causa dos impostos que pagamos, a presidente Dilma acredita que está tudo azul. Está tudo bem, que o jardim continua florido e que no futuro tudo continuará flores.

Bem, eu não sei que jardim é esse. O jardim que conhecemos e estamos vendo está cheio de ervas daninhas, mas Dilma continua não vendo nada disso. O máximo que ela vê é um malfeito aqui, outro acolá, mas que ela está mais limpa do que se tivesse tomado banho com Omo Multiação. Isso ficou claro na entrevista dada ao canal de televisão francês TV France 24, dizendo que se considera acima de qualquer suspeita. Menos mal isso, pois já pensou se ela desconfiasse dela mesma? O que será que ela faria? Cumprira a promessa de campanha de punir doa a quem doer? Mas aí estaríamos falando em autoflagelo.

Mas não adianta, entra um, saí outro do PT, o discurso é sempre o mesmo. Eu não vi, sou inocente, óbvio que se eu soubesse, ponho a minha mão no fogo, ele ou ela é acima de qualquer suspeita, ninguém tem prova nenhuma, minha vida é um livro aberto.

E quando foi confrontada (ela, Dilma), quando perguntaram se fosse constatado o seu envolvimento, Dilma disse que não estava ligada a nada disso, e que ela sabe que não está nisso. E que sabe o que faz. Preciso dizer o que penso disso?

Não deveria existir sequer a possibilidade de se achar que Dilma é inocente, que Lula é inocente. Só em empresas do governo é que um presidente do Conselho de Administração e todo o seu staff sejam os causadores de um prejuízo de milhões – no caso de Pasadena, muitos milhões – tudo fica na mesma. Na mesma em termos, pois mesmo que tenham acusado esse diretor (ir)responsável de ter passado informações que os induziu ao erro – e que deveriam, como parte do Conselho, ter exigido mais informações – ele foi severamente punido com sua transferência para outra diretoria na Petrobras Distribuidora. Só aqui mesmo, nesse país tupiniquim, é que uma punição é, na verdade, um tipo de promoção. “Oh, você fez besteira numa diretoria, mas vai se divertir em outra diretoria da nossa empresa tá? Nós te amamos e adoramos o prejuízo que você nos deu”.

Parece piada, mas não é. É a vida como ela é – aqui no Brasil.

Agora, meus amigos, para termos outro jardineiro, é uma questão de esperarmos até 2018, rezando para que o jardineiro, no caso jardineira, não entregue um jardim só com espinhos. Sendo que temos que trabalhar muito duro para que não haja a volta do jardineiro de barba e nove dedos.

E cada vez mais sabemos que nem tudo são flores. Aliás, cadê as flores?

E aí Dilma, vai falar nada?

dilma-cheiro2-300x196Confesso que fiquei estarrecido quando vi o novo estudo do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que afirma que para sobreviver e fazer cumprir o que determina a Constituição Federal no art. 7, inciso IV, que diz que um dos direitos dos trabalhadores é que o salário mínimo seja capaz de atender as suas necessidades vitais básicas e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário – ufa!! – higiene, transporte – tem certeza de que é isso tudo? – e previdência social fosse de “parcos” R$ 3.118,62.

Dá para acreditar? E tem deputado que cospe na nossa cara dizendo que – isso foi em 2011 – desafia quem consiga viver com um salário de R$ 12.000.

E o pior dessa história toda é que não vejo as pessoas se indignarem. Algumas até se indignam, mas cadê aquele mar de pessoas pedindo melhores salários? Se ninguém notou, e corrija-me se estiver errado, o salário mínimo vai e muito contra a própria Constituição. E eu pergunto: isso pode? Não seria o caso de movermos uma ação até que fosse coletiva? É claro que vão dizer que, se fosse assim, o país quebrava. Como? Se já está cheio de esparadrapo!

Mesmo que o governo provesse de forma decente a Saúde, a Educação, o transporte, poderíamos até pensar em um desconto, tipo fechamos em R$ 3.100. Mas se nem temos o básico do básico, como podemos aceitar um salário mínimo que não chega nem nos R$ 800,00?

Sendo que o reajuste dado pelo governo no salário mínimo é quase sempre um terço do percentual de aumento que deputados, senadores, ministros e a presidente têm.

No que eles são diferentes de nós? Eles têm as mesmas necessidades que um trabalhador de chão de fábrica. É só porque não usam terno e muitas vezes não tem um curso superior? Mas tem muito deputado que também não tem.

Até quando vamos suportar isso? E mais do que nunca aquilo de que os trabalhadores do meu Brasil seriam preservados…

Salve as baleias. Não jogue lixo no chão. Não fume em ambientes fechados.

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