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O incerto futuro dos Estados Unidos

 
Essa deveria ter sido uma boa semana para a economia norte-americana. Os líderes do país finalmente deram fim ao irresponsável debate fiscal, removendo a ameaça de um apocalipse financeiro global, e concordando com o aumento do teto da dívida federal. No entanto, ao invés de respirarem aliviados, os investidores continuam nervosos. Bolsas de valores caíram ao redor do planeta e o índice S&P 500 registrou sua maior queda em um ano, enquanto a taxa de juros dos títulos de dez anos do Tesouro caiu para 2,6%, seu nível mais baixo em nove meses.

Nem tudo é culpa dos Estados Unidos: a zona do euro está em caos e o setor manufatureiro está em declínio no resto do mundo. Mas as possibilidades norte-americanas parecem subitamente mais sombrias. Revisões estatísticas e novos números nada animadores revelaram uma recuperação mais fraca do que o divulgado sem condições de ser interrompida. Uma vez que isso aconteça, a economia tem grandes chances de voltar ao período recessão, especialmente se for atingida por um novo choque – como os Estados Unidos estão prestes a ser, graças a uma enorme dose de controle fiscal piorado pelo acordo da dívida.

A recuperação norte-americana de uma recessão sempre tende a ser difícil e frágil. E seus dilemas não rebaixaram a economia mundial, graças à força dos mercados emergentes. Mas a inconsequência do acordo da dívida – em especial sua falta de habilidade para combater os problemas fiscais do país – geram uma preocupação ainda maior. Seriam os políticos do país, ferozmente polarizados e dispostos a fazer apostas com a economia, confiáveis o suficiente para não transformar o que seria um inevitável período de turbulência em uma longa estagnação?

Se isso acontecer, a culpa recairá sobre os políticos. Sua receita para uma economia fraca é um longo período de austeridade. O acordo da dívida, que só prevê cortes novos e modestos, de curto prazo, não pode ser responsabilizado. Mas o Congresso poderia, e deveria, ter evitado esse trajeto potencialmente desastroso. Havia um caminho, que seria a manutenção dos gastos por um curto prazo, com ênfase nos investimentos de infraestrutura, e uma extensão temporária dos cortes de impostos, em troca de uma redução de médio prazo no déficit, concentrada nas obrigações governamentais e na reforma fiscal.

O Congresso fez exatamente o oposto, deixando de apoiar a economia agora e falhando na tarefa de encontrar cortes suficientes na próxima década para estabilizar a dívida norte-americana. Você construiria uma fábrica hoje se soubesse que os impostos aumentariam eventualmente, mas não soubesse exatamente quais?

Para piorar, a política venenosa das últimas semanas criou um novo tipo de incerteza. Agora que os membros do Tea Party usaram a moratória como uma arma política com sucesso, é bem possível que ela seja usada novamente. A recusa em assumir compromissos está tendo consequências terríveis por todos os lados, fechando parcialmente a Administração Federal de Aviação e procrastinando leis comerciais. Na melhor das hipóteses, os políticos terão atrasado uma expansão apressada; na pior delas, terão matado a recuperação e dado o golpe de misericórdia na maior máquina de prosperidade do mundo.

 Fonte: opiniaoenoticia.com.br

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