O gene da inteligência

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As pessoas estão vivendo por mais tempo, o que é bom. Mas a idade avançada, em geral, provoca uma queda das faculdades mentais e muitos pesquisadores estão procurando por maneiras de desacelerar ou interromper tal declínio. Um grupo que está fazendo isso é liderado por Dena Dubal da Universidade da Califórnia, São Francisco, e Lennart Mucke dos Institutos Gladstone, também em São Francisco.

A Dra. Dubal e o Dr. Mucke vêm estudando o papel desempenhado pela klotho, uma proteína codificada por um gene chamado KL, sobre o envelhecimento. Uma versão particular desse gene, o KL-VS, promove a longevidade. Um dos modos através do qual o gene faz isso é reduzindo as doenças cardíacas relacionadas ao envelhecimento. A Dra. Dubal e o Dr. Mucke se perguntaram se o gene poderia ter poderes similares sobre o declínio cognitivo relacionado ao envelhecimento.

O que eles descobriram foi impressionante. O KL-VS não diminuía o declínio, mas aprimorava as faculdades cognitivas independentemente da idade da pessoa pelo equivalente a cerca de seis pontos de QI. Caso esse resultado, que acaba de ser publicado no periódico Cell Reports, seja confirmado, o KL-VS será o agente genético de variação não patológica de inteligência mais importante já descoberto.

Caso o intervalo de seis pontos de QI esteja correto, a variação no gene KL poderia ser responsável por até 3% da variação de QI na população como um todo. Há duas razões para crer que isso não seja um acaso. Uma é que três estudos independentes verificaram o efeito. O segundo é que a Dra. Dubal e o Dr. Mucke não perderam tempo e fizeram alguns experimentos com ratos para investigar as ações do KL-VS. Eles acrescentaram o KL-VS aos genomas de alguns ratos.

Os animais, criados a partir de engenharia genética, se saíram muito melhor que os comuns em aprender a circular por labirintos e em outros testes de memória aos quais os psicólogos gostam de expor suas cobaias. E análises de seus tecidos neurais revelaram diferenças em relação a ratos comuns nas estruturas de suas sinapses, as ligações entre as células nervosas que atuam como chaves neurais.

A Dra. Dubal e o Dr. Mucke esperam pôr a sua descoberta em prática. Um remédio que eleve os níveis de kotho, ou reproduza os efeitos da proteína, pode de fato aprimorar a cognição, e não há nenhuma razão óbvia por que o uso de tal remédio deva se restringir aos idosos. Caso esse remédio possa ser desenvolvido, talvez todos “exceto aqueles que já contam com uma cópia do KL-VS em seus cérebros” devam tomá-lo para ficar um pouco mais inteligentes.

aprimorava as faculdades cognitivas independentemente da idade da pessoa pelo equivalente a cerca de seis pontos de QI.

 

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