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O fim do mandato de Cesar Maia

Ansiedade e oportunismo, mas o tempo julga, como com o Conde”, resposta de Cesar Maia quando perguntado sobre aqueles que entraram na política por suas mãos e hoje são seus opositores.

Inegavelmente um político de projeção nacional, Cesar Maia chega ao término de seu terceiro mandato em meio a uma grande polêmica sobre a construção da Cidade da Música, na Barra da Tijuca.

Em 1º de janeiro de 2009, passa o governo ao seu sucessor recém-eleito, Eduardo Paes, com quem mantém relações tensas.

Aliás, tão tensas como as que mantém com o ex-Prefeito Conde, que antes de se tornar adversário político e desafeto de Maia, foi seu amigo pessoal e grande colaborador, e com vários outros que, da mesma forma que Eduardo Paes, entraram na política através da porta aberta por Cesar Maia em seu primeiro governo, no qual ocuparam cargos importantes, garantindo o primeiro mandato eletivo.

Tranqüilo e convicto de que seus acertos superam os erros que lhe são atribuídos, o Prefeito gentilmente nos concedeu, por e-mail, esta entrevista.

Hamilton Macedo: Que balanço o senhor faz da sua administração?
Cesar Maia: As eleições de que participei tem mostrado o apoio da população.

Hamilton Macedo: Mas, e a baixa votação alcançada pela candidata que teve seu total apoio?
Cesar Maia: Numa campanha sempre ocorre o voto útil no primeiro turno quando a decisão de voto oscila entre 2 candidatos. Poderia ter sido para ela. Foi para o Gabeira.

Hamilton Macedo: Como explicar a expressiva votação do Deputado Gabeira?
Cesar Maia: Conforme disse acima, o voto útil.

Hamilton Macedo: Se pudesse voltar no tempo, o senhor indicaria novamente a deputada Solange Amaral para concorrer à Prefeitura?
Cesar Maia: Sem nenhuma dúvida.

Hamilton Macedo: O Governador Sérgio Cabral decretou feriado na segunda-feira após as eleições, foi uma estratégia visando beneficiar o candidato Eduardo Paes?
Cesar Maia: Não creio.

Hamilton Macedo: Fora do governo, o que podemos esperar do seu partido, o DEM?
Cesar Maia: Cumprir democraticamente o papel para o qual foi escolhido: oposição.

Hamilton Macedo: O senhor é o nome de maior peso do DEM em nosso Estado, qual será sua linha de conduta quanto aos Governos Estadual, Municipal e Federal?
Cesar Maia: O que o eleitor definiu: oposição.

Hamilton Macedo: Em 2010, podemos já pensar no senhor como candidato ao Governo Estadual ou ao Senado?
Cesar Maia: Em 2010 em qualquer uma delas dependendo da conjuntura.

Hamilton Macedo: Como explicar os vários políticos que iniciaram suas atividades graças ao senhor, hoje lhe fazem oposição?
Cesar Maia: Ansiedade ou oportunismo. O tempo julga como com o Conde.

Hamilton Macedo: E para aqueles que, enquanto o senhor foi governo, estiveram ao seu lado, mas, talvez em razão dos números das pesquisas, decidiram apoiar o seu maior adversário?
Cesar Maia: Fragilidade que não os ajuda no futuro.

Hamilton Macedo: O senhor acredita que vereadores pertencentes ao DEM poderão vir a integrar a base de sustentação do futuro Prefeito, na Câmara Municipal?
Cesar Maia: Não creio.

Hamilton Macedo: Como o senhor se defende daqueles que o acusam de, no final do seu governo, ficar distante da população e só administrar através do Laptop?
Cesar Maia: Estão ainda no mundo industrial.

Hamilton Macedo: A Cidade da Musica pode ter um dos motivos da baixa votação da candidata do DEM na última eleição?
Cesar Maia: Não.

Hamilton Macedo: Como o senhor encara as duras críticas que tem recebido em razão dos problemas ligados a Cidade da Música e do Lixão?
Cesar Maia: Falta de conhecimento.

Hamilton Macedo: O senhor tem a consciência de que o DEM do nosso Estado poderá não sobreviver sem a sua liderança?
Cesar Maia: Na democracia essas oscilações são sempre positivas.

Hamilton Macedo: O seu filho Dep. Rodrigo Maia tem se mostrado um dos mais atuantes em Brasília, ele não seria o nome mais indicado para concorrer a vaga de Prefeito no lugar da Deputada Solange Amaral?
Cesar Maia: A lei não permite.

Hamilton Macedo: Veio ao conhecimento do público que, durante uma reunião do DEM para tratar do segundo turno, parlamentares do seu partido, se mostraram contrariados em ter que apoiar o Deputado Gabeira, isso de fato aconteceu?
Cesar Maia: Sim, democraticamente.

Hamilton Macedo: Qual a sua opinião sobre o apoio do Vereador do DEM Wanderley Mariz, ocupante de uma Secretaria no seu Governo, ao candidato Eduardo Paes?
Cesar Maia: Fragilidade que não o ajuda.

Hamilton Macedo: Se convidado, o senhor colaboraria com o futuro Prefeito?
Cesar Maia: Com a Cidade sempre.

Hamilton Macedo: O senhor, realizou diversas obras de grande importância para a nossa Cidade, faltou alguma coisa?
Cesar Maia: Sempre será assim.

Hamilton Macedo: O senhor gostaria de acrescentar alguma coisa?
Cesar Maia: Acostumemo-nos com a democracia que tem na alternância no poder sua força.

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2 comentários para “O fim do mandato de Cesar Maia”

  1. ? Roberto disse:

    Rio, 03.10.2010
    Hoje é o dia das eleições!!!
    Cidade da Música x Votos = 0
    Desperdício de dinheiro público??? Não esqueci não!!!

  2. >> CSS disse:

    O fim da era! Já foi tarde!