Brasil  

O Fantástico show da corrupção

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Claudio Carneiro critica ‘doença da corrupção’ e a compara ao tabagismo

Com mais de 25 milhões de fumantes, o Brasil se vê diante do desafio do médico Drauzio Varella para que muitos brasileiros – quiçá milhões – se livrem da dependência ao tabaco e, consequentemente, da doença conhecida como tabagismo. Por menores que sejam os resultados da iniciativa, ela já se mostra vitoriosa uma vez que mobiliza as pessoas contra um mal que afeta um país inteiro. Os brasileiros têm se mobilizado somente por motivos muito tolos nos últimos anos, com “abraços” em lagoas e praças e outras manifestações insossas.

Enquanto isso, percebe-se o crescimento assustador de outra doença – esta social – estimulada pela forma com a qual o Governo faz política: a corrupção. É um mal que assola toda a esfera do Governo. Está enfronhado no projeto criado para se manter no poder. É um modus operandi partidário.

Em seu artigo publicado no domingo nos principais jornais do país, Fernando Henrique Cardoso admite que “a corrupção e, mais do que ela, o “fisiologismo” e o clientelismo tradicional sempre existiram”. Mas o que escandaliza o octogenário ex-mandatário é que “o que era episódico se tornou sistema” – nas palavras dele. “Os partidos exigem ministérios e postos administrativos para obter recursos que permitam sua expansão”. FHC atribui a Lula o fato de ter legitimado a “cara dura” daqueles envolvidos com corrupção: “A aceitação tácita desse estado de coisas por um líder popular ajuda a transformar o desvio em norma mais ou menos aceita pela sociedade”. É uma nicotina que envenena o jogo político.

Em cada uma das pastas foram estabelecidos feudos que sangram o estado e criam redes de arrecadação que fortalecem partidos que se alugam e contas particulares de pessoas que se vendem. O próximo a tragar fumaça será o ministro do Trabalho, mas só o tempo – ou uma denúncia – dirá que são todos viciados.

Como pontas inúteis – muitos tentando manter-se em brasa – diversos ministros já foram “apagados” no cinzeiro. Curioso e triste, em parte, é que toda investigação partiu de órgãos da imprensa. O Governo fez de tudo para fumar as bitucas até o final. Difícil saber se as investigações contra Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi, Pedro Novaes e Orlando Silva continuam. Eles – que se demitiram com a desculpa de que assim teriam mais tempo para provar inocência – nada provaram. Mas já são virtuais candidatos às próximas eleições.

Antes mesmo de ser descartado como a próxima guimba, o ministro do Trabalho Carlos Lupi não se preocupa em provar que houve um engano nas acusações que lhe fazem. A mesma que fizeram aos outros. Limita-se a dizer “morro, mas não jogo a toalha”. Deve ser muito bom ser ministro. Melhor ainda ser partido de apoio ao Governo.

Pois não é que o PDT – assim como o PMDB, PR e o PC do B – já está fazendo o mesmo teatro? Sua cúpula afirma que as denúncias são muito graves, defende investigações imediatas e diz que vai cobrar explicações do ministro. Quando tudo isso acabar, também o PDT manterá sua pasta ministerial e anunciará que nunca mais vai se envolver com estas ONGs – instituições originariamente sem fins lucrativos onde estão armazenados todo o alcatrão e a nicotina deste mundo.

Diferente da profissional que limpa nossas casas, dando uma geral em todos os cômodos a cada empreitada, a faxineira oficial prefere manter uma rotina diferente. Lê uma revista por semana para depois limpar um único cômodo – já empoeirado e cheio de insetos. Pior: ela nunca limpa os cinzeiros.

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