O Facebook pode decidir uma eleição sem ninguém ficar sabendo

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timthumb.phpEm 02 de novembro de 2010, usuários americanos do Facebook foram alvo de uma ambiciosa pesquisa comportamental. Com o aval de Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, pesquisadores manipularam o site de relacionamentos para descobrir se a ferramenta poderia levar às urnas pessoas que não pretendiam votar nas eleições parlamentares daquele dia.  A resposta foi afirmativa.

O experimento foi simples. Os pesquisadores inseriram no feed de notícias de dezenas de milhões de usuários do Facebook um gráfico com um link indicando os locais de votação, um botão para o usuário anunciar aos amigos que havia votado e fotos do perfil de até seis amigos que indicaram que também votaram. Outros grupos de usuários da rede social receberam uma mensagem genérica incitando à participação nas eleições ou não receberam nada. Em seguida, os pesquisadores analisaram registros de votação em todo o país para descobrir se a ação havia estimulado eleitores expostos à ação a votar.

Em geral, usuários notificados sobre a participação de amigos nas eleições eram 0,39% mais propensos a votar do que aqueles no grupo de controle. Esse pequeno aumento nas taxas de comparecimento às urnas representou milhares de novos votos. Os pesquisadores concluíram que a ação criada no Facebook mobilizou diretamente pelo menos 60 mil eleitores e, graças ao efeito cascata, em última análise, resultou em um adicional de 340 mil votos naquele dia. Como os pesquisadores apontaram, nas eleições americanas do ano 2000, George W. Bush venceu no estado da Flórida e levou a presidência por apenas 537 votos, menos do que 0,01% dos votos naquele estado.

Marionetes de Zuckerberg

Considere agora uma futura eleição muito disputada. Suponha que Mark Zuckerberg pessoalmente favoreça um candidato. Zuckerberg poderia facilmente criar uma ação para estimular eleitores a votar em seu candidato, inserindo este “estímulo” nos feeds de notícias de dezenas de milhões de usuários ativos do Facebook. Mas, ao contrário do experimento feito em 2010, o grupo que não receberia a mensagem não seria escolhido ao acaso. Zuckerberg poderia fazer uso do fato de que o botão de “curtir” de sua rede social pode prever inclinações políticas e até a filiação partidária de usuários, mesmo quando os usuários não anunciam essas filiações diretamente na rede social, o que também é muito comum.

Munido dessas informações, Zuckerberg poderia optar por não apimentar os feeds dos usuários insensíveis ao seu ponto de vista, incitando ao voto apenas aqueles usuários que acredita poder convencer. Tais manobras poderiam influenciar ou até decidir uma eleição importante.

 

 

 

Fontes: The New Republic – Facebook could decide an election without anyone finding out
                 www.opniaoenoticia.com.br

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