O boom da cocaína e o desafio de sua eliminação

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Em um helicóptero militar, repórteres avistam as plantações ilegais de coca no sul da Colômbia. As enormes plantações são responsáveis pelo maior boom de cocaína da história. As plantações colombianas de coca nunca cresceram tanto, nem mesmo quando Pablo Escobar regulava o comércio da droga. A informação é do Washington Post.

Em 2000, os Estados Unidos criaram o Plano Colômbia para combater a produção e o tráfico de cocaína, além de desestruturar a Farc. Uma das ações do plano foi implementar a fumigação de glifosato, herbicida considerado pela Organização Mundial da Saúde como um possível causador de câncer, para acabar com as plantações de coca. A fumigação, porém, acabou infectando o solo e atingindo outras plantações.

O governo colombiano parou de jogar o famoso herbicida nas plantações de coca em 2015 por conta do elevado risco de câncer. As autoridades americanas acham que a tática deveria continuar em conjunto com outras medidas, mas a mais alta corte na Colômbia formalizou a proibição do glifosato no mês passado.

O acordo de paz assinado entre o governo colombiano e as Farc para acabar com a guerrilha também tinha como objetivo eliminar o negócio do narcotráfico e ajudar as famílias rurais a transformarem suas plantações de coca em cultivos legais. Mas os benefícios financeiros oferecidos pelo governo parecem ter criado um incentivo para que os fazendeiros aumentassem suas plantações da matéria-prima da cocaína. Mesmo os que não plantavam coca, agora estão fazendo isso para receber benefícios.

Persuadir fazendeiros a parar de plantar tanta coca é um grande desafio. Autoridades colombianas estão aparecendo nas comunidades com pagamentos em dinheiro para aqueles que pararem de produzir coca e entrarem em um programa de dois anos para mudar para uma plantação legal. As áreas que conseguirem o feito vão receber suporte comercial e técnico, assim como financiamentos para estradas, clínicas e campos esportivos. Para receber os pagamentos mensais, toda a comunidade deve estar livre da coca. Especialistas dizem que este método é a única forma do plano funcionar, porque se a coca estiver por perto, as gangues do tráfico nunca irão embora.

O governo deve pagar as famílias até US$ 12 mil num período de até dois anos (uma quantia calculada para ser tão boa quanto às plantações de coca). Porém, se as 70.000 famílias estimadas se inscreverem (provavelmente muitas mais vão querer também), o custo vai ser maior que US$ 500 milhões por ano. Com os recursos financeiros escassos por um crescimento colombiano lento, ainda não está claro se o governo vai conseguir pagar o programa. Se os fazendeiros não conseguirem os pagamentos, eles vão continuar plantando coca.

O mercado da cocaína está tão saturado que os preços caíram. Quando o presidente colombiano Juan Manuel Santos for encontrar o presidente americano Donald Trump em Washington, no dia 18 deste mês, a droga será o grande assunto. Trump já citou o contrabando da cocaína como uma ameaça crescente à segurança nacional e uma justificativa para o muro entre os EUA e o México.

Entre 2013 e 2015, o número de jovens americanos que experimentaram cocaína pela primeira vez aumentou 61%, segundo o último relatório dos EUA. “O que está acontecendo é o contra-argumento da ideia de que a demanda sempre leva ao fornecimento”, disse William Brownfield, autoridade americana de assuntos anti-narcotráfico. “Neste caso, o fornecimento do produto agora é bem maior do que a demanda”, explica Brownfield.

 

Fonte: Opinião&Notícia

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