O ano pode ser novo, mas os políticos…

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Por Claudio Schamis
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Como escreveria Ancelmo Gois, ‘deve ser horrível viver num país, você sabe…’ E é mesmo. Se fosse mais simples pegava o primeiro táxi rumo ao aeroporto mais próximo. Destino: algum lugar, qualquer lugar, desde que seja fora da América Latina.

É inconcebível que ainda aceitemos notícias como a dos deputados de Pernambuco que interromperam suas férias para se darem um pequeno aumento de salário. “Quer saber? Acho que merecemos um aumento. Vamos convocar uma reunião extraordinária e nos conceder um aumento. Até porque qual o deputado estadual que pode sobreviver com um salário de R$ 20 mil? Impossível. Por isso, decretamos que a partir de agora nosso salário é de R$ 25 mil. Agora que não temos mais nada para fazer, vamos voltar às férias”.

Cadê as passeatas? Cadê o povo pedindo um basta de tanta safadeza?

É vergonhoso! É nojento!

Assim como é também vergonhoso e nojento que na falida capital Brasília tenha sido permitido que se fizesse uma reforma na residência oficial do hoje ex-governador Agnelo Queiroz (PT), onde se gastou “meros” R$ 2 milhões, sendo somente R$ 1,5 milhão na casa de hóspedes, e onde já existia uma licitação no valor de R$ 2,4 milhões para a compra de alimentos para a residência oficial. Entre os itens relacionados havia 21 toneladas de peixe, camarão, bacalhau, picanha e outras carnes, dando um consumo médio de 59 kilos por dia, sem incluir o frango, a linguiça, a carne de porco. Mas, para sorte nossa, o atual governador, Rodrigo Rollemberg (PSB), já mandou suspender a licitação. Até porque recebeu o governo com um rombo de R$ 3,1 bilhões.

O que me espanta é a falta de critério dos políticos. Mesmo com o estado em frangalhos, existe um servidor público, no caso o governador, que pensa exatamente como a maioria dos políticos: pensa com a carteira, pensa como pode tirar o máximo de proveito do dinheiro que tem em mãos. Se por ventura sobrarem uns trocados, ele vê depois o que faz. Paga um fornecedor aqui, um salário acolá.

Sem falar que no Maranhão dos Sarney o rombo é de R$ 1,1 bilhão, uma bela herança deixada pela “querida e amada” Roseana Sarney, que está nos “Estates” passeando, usando e abusando da gorda aposentadoria que nós pagamos para ela.

E o povo assiste a tudo isso sentado no sofá, tomando a sua cerveja geladinha, sabendo que, se apesar disso tudo, o salário do Bolsa Família não atrasar, eles não cortarem o número de abençoados que o recebem, tá tudo muito bem. Se falta médico para atendê-los, tá tudo ‘de boa’, afinal quem nunca faltou ao trabalho uns dias na vida, né? O hospital está fechado? Qual o problema, né? Tem tantos outros hospitais fechados pelo Brasil. Não vai ser um aqui em Brasília que vai transformar isso numa COISA. Se o governo resolve usar a verba de escolas, limpeza pública etc,. para proporcionar uma festa de réveillon na Esplanada dos Ministérios, que mal há? Réveillon, afinal, é uma vez por ano. E repetimos, se não faltar a cerveja gelada e o Bolsa Família no final do mês, por eles tá tudo bem. E se tiver futebol no pacote, melhor ainda.

E enquanto isso…

Joaquim-300x150Bravo! Bravíssimo para o governo que resolveu cortar R$ 9 bilhões em subsídios, o que fará certamente a nossa conta de luz subir duas vezes ainda em 2015!

É surreal isso. Só aqui. Eles não cortam Ministérios, não seguram aumento dos próprios salários, mas cortam onde a conta acaba sendo paga por nós.

Belo governo – quem mandou votar nela! – belo começo de ano. Fora que ainda vem aumento de impostos por aí, segundo já anunciou o novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Mas ele já disse que o governo não tem a intenção de fazer um “saco de maldades”. Ah, bom! Então a partir de agora, vou dormir tranquilo. Acho até que vou até abrir uma cerveja gelada para comemorar.

Aumentar mais o quê? E qual será a mágica para que o aumento da carga tributária tenha o menor impacto na atividade econômica? Será que Joaquim Levy, além de ministro, é mágico? Ou ilusionista?

Será que ainda ninguém do governo percebeu que se a população visse o que se paga de imposto por aqui ser revertido para nós mesmos, em melhorias nos serviços prestados, nos transportes públicos, mais hospitais, escolas, mais casas com luz e saneamento, seria tudo mais fácil de aceitar? Mas não, quanto mais se fala em aumentos de impostos a primeira coisa que vem na cabeça da grande maioria é : mais dinheiro para ser desviado e roubado por eles.

Esse é o nosso Brasil.

E como escreveria Ancelmo Gois, ‘deve ser horrível viver num país, você sabe…’

Salve as baleias. Não jogue lixo no chão. Não fume em ambientes fechados.

 

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