O ano antes de o céu vir abaixo

Visto a partir das capitais da Europa Ocidental, o mundo parecia ir bem em 1913. Havia muitos, é verdade, que ouviam os roncos da guerra; mas isso era extremamente comum na Europa, mesmo após duas décadas de paz. A Economist não ficou preocupada. Em junho de 1913 a revista descreveu a recente entente cordiale entre a Grã-Bretanha e a França como a “expressão de tendências que estão lenta e seguramente tornando a guerra entre as comunidades civilizadas do mundo uma impossibilidade”.

A revista errou. O massacre que se seguiu e que viria a matar 35 milhões de pessoas, no entanto, não era inevitável. A Europa não só estava em um período mais pacífico, mas também mais rico, saudável e indubitavelmente mais estável que qualquer outro – além de mais interconectado.

Charles Emmerson, um jovem historiador britânico que anteriormente havia escrito um ótimo estudo sobre o Ártico, apresenta um grand tour da Europa nesse momento fatídico –- e em seguida parte para Detroit, Buenos Aires, Teerã, Bombaim e Tóquio; 23 cidades ao todo. Dando pouca atenção à calamidade iminente, ele não pretende em seu novo livro 1913: À Procura do Mundo Antes da Grande Guerra explicar o que causou ou foi perdido na guerra, mas sim exumar a partir da visão parcial do olhar retrospectivo o mundo em que o conflito emergiu. Esta empreitada não é modesta. Emmerson recorre a uma ampla gama de fontes, as quais incluem memórias, outdoors e jornais, para recriar um ano que foi relativamente calmo.

A humanidade foi menos influenciada pela Grande Guerra do que se costuma supor. Na verdade, o mundo em 1913 era bastante parecido ao de 2013: moderno, substancialmente urbanizado e, mesmo quando Woodrow Wilson passou a cortar impostos de importação, omm um comércio exterior vibrante. Embora algumas características do mundo em 1913 pareçam estranhas – como a riqueza argentina – a maioria destas é familiar. No entanto, junto com elas vêm um corolário problemático. No atual teste da unidade europeia, a reafirmação no estado nacional e a insegurança gerada pelas potências emergentes, o mundo em 2013 se parece, para a inquietação geral, com o de 1913.

 

Texto da revista Economist editado para o Opinião e Notícia

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