Novas descobertas sobre a relação entre homem e cachorro

Fonte: ‘The Economist’*
 
A relação entre pessoas e cachorros é única. Dentre os animais domesticados, somente os cães são capazes de desempenhar uma gama tão variada de papeis para o homem, como pastorear ovelhas, farejar drogas ou explosivos, e ser companheiros queridos.

É difícil ser preciso a respeito do início dessa amizade, mas uma suposição razoável é que ela vem se desenvolvendo por mais de 20 mil anos. Na caverna de Chauvet, na região francesa de Ardèche, que contém as pinturas rupestres conhecidas mais antigas, há uma trilha de 50 metros de pegadas de um garoto de uns dez anos ao lado de pegadas de um canídeo grande que parece ser parte lobo, parte cachorro. Estima-se que as pegadas, que foram datadas pela fuligem desprendida da tocha portada pela criança, tenham cerca de 26 mil anos.

Os primeiros protocachorros provavelmente permaneceram relativamente afastados uns dos outros por milhares de anos. À medida que se tornaram mais domesticados, seguiram pessoas em migrações de grande porte, misturando seus genes com outras criaturas igualmente domesticadas e se tornando cada vez mais parecidos com cachorros (e menos parecidos com lobos) no processo.

Para John Bradshaw, biólogo fundador do departamento de antrozoologia da Universidade de Bristol, ter alguma ideia de como surgiram os cachorros é o primeiro estágio de um entendimento maior do que estes animais significam para os humanos. Parte do seu programa é explorar os muitos mitos sobre a proximidade entre cães e lobos e os erros que resultam destes, especialmente no treinamento de cachorros ao longo do último século.

Uma ideia influenciou o treinamento de cachorros por muito tempo, diz Bradshaw. Matilhas de lobos supostamente são hierarquias despóticas dominadas por lobos alfa. Acredita-se que os cachorros se comportam da mesma maneira em sua interação com humanos. Deste modo, treinar um cachorro de maneira eficiente torna-se uma competição por domínio na qual só pode haver um vencedor. Para atingir isto o treinador tem que usar uma variedade de técnicas de punição para conquistar a submissão do cachorro. Simplesmente permitir a um cachorro passar pela porta antes de você ou permanecer acima de você numa escada é correr o risco de encorajá-lo a acreditar que ele está assumindo uma posição de liderança. Bradshaw argumenta que a teoria por trás desta abordagem é baseada em uma ciência ruim e datada.

Os cachorros compartilham 99,6% do DNA com os lobos. Isto os torna mais próximos dos lobos do que nós dos macacos (com os quais temos aproximadamente 96% do DNA em comum), mas não quer dizer que seus cérebros funcionem como os dos lobos. Com efeito, a afabilidade extrovertida da maioria dos cachorros para com humanos e outros cachorros contrasta com a mistura de agressividade e medo com que os lobos reagem a animais de outras matilhas.

“A domesticação foi um processo longo e complexo,” escreve Bradshaw. “Todo cachorro vivo hoje é resultado desta transição. O que já foi um dos canídeos sociais selvagens, o lobo cinzento, foi alterado radicalmente, ao ponto de ter se tornado um animal único”. Se muito, os cachorros assemelham-se a canídeos juvenis e não adultos, uma espécie de desenvolvimento retardado que relaciona-se com o modo como os cães permanecem dependentes de seus donos ao longo de suas vidas.

* Texto traduzido e adaptado pelo Opinião e Notícia

 

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Um comentário para “Novas descobertas sobre a relação entre homem e cachorro”

  1. ? Catarina disse:

    Bizaaaaaaaaaaarooooooooo