No jogo para as eleições de 2012, apostas são para 2014

Nos próximos meses, as mais expressivas legendas reforçam a articulação de alianças e as metas de crescimento, ao mesmo tempo em que trabalham nos bastidores para evitar o esvaziamento das bancadas municipais.

Mal chegou 2012 e os principais partidos políticos do país começarão o novo ano de olho numa eleição municipal que servirá de pano de fundo para um projeto maior: a corrida pela Presidência, daqui a dois anos. Nos próximos meses, as mais expressivas legendas reforçam a articulação de alianças e as metas de crescimento, ao mesmo tempo em que trabalham nos bastidores para evitar o esvaziamento das bancadas municipais. No alvo desde que assumiu o governo federal, o PT é o partido que mais sofrerá pressão. Com aliados como o PMDB e o PSB, ambos com planos eleitorais ambiciosos, as disputas municipais de 2012 vão dar trabalho ao partido da presidente Dilma Rousseff. O PT terá de conciliar interesses locais com o projeto de fortalecimento da base do governo. A pressão para que os petistas não criem obstáculos na articulação das alianças país afora promete ser grande. Oficialmente, a direção nacional do PT diz que não fará mais concessões neste ano do que em eleições anteriores. O partido, entretanto, tem concluído levantamento das cidades onde poderá abrir mão de candidatos a prefeito para agraciar aliados. PMDB: candidato em 20 capitais Maior partido da coalizão, o PMDB já avisou a lideranças do PT que pretende lançar candidato a prefeito em 20 a 22 capitais, um aumento significativo em relação a 2008, quando teve 13 candidaturas. No caso do PSB, as metas eleitorais ainda não foram divulgadas, mas os petistas sabem que estreitar as relações neste ano com o parceiro é um passo estratégico para não perdê-lo em 2014. A legenda tem um leque amplo de alianças pelo país – incluindo o recém-criado PSD e os oposicionistas PSDB e DEM – e não descarta voo solo para a Presidência. No início deste mês, a posição do PT em relação a alianças nas grandes cidades começará a clarear. Nas capitais onde há possibilidade de o partido não ter candidato próprio e apoiar o indicado de uma legenda aliada, a direção local do PT tem que oficializar até o dia 15 a proposta de aliança para iniciar uma discussão internamente. Para as demais cidades o prazo é março. Para os petistas, o caso mais problemático no país é o de Belo Horizonte, onde o PSB do atual prefeito, Marcio Lacerda, tentará a reeleição, mas os petistas estão divididos quanto a apoiá-lo. A direção nacional, interessada em aproximar cada vez mais o PSB do projeto da reeleição de Dilma em 2014, pressiona para que os petistas reeditem neste ano a aliança firmada em 2008 com Lacerda e o PSDB do senador Aécio Neves. Mas o projeto encontra resistência de lideranças locais num movimento encabeçado pelo vice-prefeito Roberto Carvalho. O secretário-geral nacional do PT, Elói Pietá, nega que o partido, em nome da governabilidade de Dilma, vá fazer mais concessões de cabeças de chapa a aliados: “A regra é ter candidatura própria em mais de cem cidades prioritárias. Mas teremos o bom senso de fazer alianças sem que a cabeça de chapa seja do PT em alguns lugares.” A prefeitura do Rio é um desses casos. Em nome do fortalecimento dos laços PT-PMDB, os petistas apoiarão a reeleição do prefeito Eduardo Paes (PMDB). O PMDB espera o mesmo gesto em Manaus, se o senador Eduardo Braga oficializar a candidatura. Interesses O presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), explica os interesses que orientam o partido: “Se você quiser chegar forte a 2014 tem que chegar firme em 2012. O PMDB se fortaleceu muito com o Michel Temer na vice-presidência. Queremos aproveitar esse momento importante para fortalecê-lo ainda mais.” Os peemedebistas projetam um aumento de 12% de prefeituras sob seu comando. Hoje são 1.154, e a meta é chegar a 1.300 municípios. Segundo Pietá, o PT não fez projeções sobre número de candidaturas majoritárias, mas decidiu que seu espaço no mapa será ampliado: “O PT elegeu 558 prefeitos e prefeitas em 2008. Este ano vamos continuar a trajetória ascendente.” A prioridade do PT em 2012 será avançar nas capitais, em cidades com mais de 150 mil eleitores e em municípios considerados polos regionais. Principal partido da oposição, o PSDB aposta na influência de seus governadores para recuperar o espaço perdido. Para 2012, os tucanos projetam um crescimento acima de 20% do número de prefeituras administradas pelo partido. Segundo o presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra, a meta é eleger mil prefeitos. Hoje a sigla tem 793. Em 2004, eram 870. “Temos condições de eleger mais prefeitos em parte por conta do resultado na eleição estadual, quando elegemos oito governadores, melhor resultado da história”, diz Guerra. O PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, terá neste ano o primeiro teste eleitoral, mas as preocupações estão voltadas para 2014. O pleito deste ano tem sido encarado apenas como um meio de chegar mais fortalecido à próxima eleição.

Fonte: votebrasil.com

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