No dia do seu julgamento, as provocações do ‘Chacal’

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Em entrevista a um jornal venezuelano, o polêmico terrorista admite ter participado da morte de quase 2 mil pessoas

7/11/2011 | Enviar | Imprimir | Comentários: nenhum | A A A

Próximo do seu julgamento, que se inicia nesta segunda 7 de novembro, por atentados cometidos na França, o mais temido terrorista do século 20, Ilich Ramirez Sanchez, conhecido como “Carlos, o Chacal” continua suas provocações midiáticas. Em uma entrevista publicada neste domingo pelo jornal venezuelano El nacional, o Chacal reivindicou pela primeira vez mais de uma centena de ataques que teriam provocado entre 1500 e 2 mil mortos. Até então, Carlos só havia reivindicado o sequestro de 70 pessoas na sede da OPEP em Viena, que havia provocado a morte de três pessoas em dezembro de 1975.

A imagem deste terrorista envelhecido, silhueta arredondada, é final de todo um capítulo da história do século. O dos anos 1970-1980, quando o mundo ainda era dividido em dois blocos, uma guerra fria chegava ao fim, e terroristas alemães, italianos e palestinos clamavam, em nome do “internacionalismo”, a exportação da “revolução mundial”. Na abertura do processo, nesta segunda, o “Chacal” declarou ser “um revolucionário por profissão”.

Illich Ramirez-Sanchez, 62 anos, sonhou estar na pele de um combatente, berçado pelo romantismo revolucionário à la Guevara, mas viveu como um atirador de bombas contratado pelos serviços secretos, como um mercenário semeando, sem complexos, a morte à sua volta. “Carlos” é o mito; “Illich Ramirez-Sanchez, um matador. E é por causa de quatro atentados mortíferos cometidos em território francês entre 1982 e 1983 que ele deve responder de 7 de novembro a 16 de dezembro diante de um júri composto por sete magistrados, como é de costume em processos por terrorismo, Três cúmplices presumidos – um jordaniano e dois alemães, entre eles uma mulher – deverão igualmente serem julgados pelos mesmos atos. Mas o primeiro estando em fuga, e os dois outros em detenção na Alemanha, poderiam ser julgados em sua ausência.

No dia 29 de março de 1982, uma bomba explode no trem La Capitole, a alguns quilômetros de Limoges. O dispositivo, colocado logo antes de sua saída da estação de Austerlitz, em Paris, está programada num cronômetro. Ela engatilha lá pelas 20h40, provocando a morte de cinco pessoas, e deixando outras 30 feridas. Três horas depois, às 23h30, enquanto os socorros ainda se encontram na cena do drama, uma pessoa anônima telefona para a agência France Presse: “Nós reivindicamos o atentado ao Le Capitole. Nós somos o movimento para Carlos e este é um aviso ao presidenre Mitterand e especialmente ao Sr. Defferre [então ministro do interior].”No dia seguinte, uma outra reivindicação, mais explícita, chega à Prefeitura de polícia, em Paris: “Eu reivindico o atemtado do Capitole em nome da Internacional Terrorista amiga de Carlos. Liberem nossos amigos Bréguet Brunoet e Kopp Magdalena ou teremos projetos ainda mais desastrosos”.

O suíço Bruno Bréguet e a alemã Magdalena Kopp, que se tornaria esposa de Carlos, são antigos membros do grupo terrorista alemão Baader-Meinhof. Eles se juntaram á Carlos que, na época, era ligado à Frente Popular de Liberação da Palestina. Um mês após o atentado contra Le Capitole, dia 17 e fevereiro, Bréguet e Kopp foram interrogados em Paris e encarcerados na prisão de Fresnes, em Val-de-Marne. Depois disso, Carlos não parou de exigir suas liberações, multiplicando ameaças contra a França. Depois da bomba do Capitole, seguiu-se a da rua Marbeuf, em 1982, dia do processo de Breguet e Kopp. No ano seguinte, em 1983, um duplo atentado ao TGV Marselha-Paris, com três mortos e dezenas de feridos, e outra à estação Saint-Charles (Marselha), com dois mortos e mais de 20 feridos. Carlos se torna o terrorista mais temido e procurado do mundo.

Depois de uma busca que durou mais de 19 anos, o homem de 100 passaportes e 52 pseudônimos, cujo mito não terá sobrevivido à queda do Muro de Berlim e o desmoronamento dos países do bloco soviético, é capturado no Sudão, em agosto de 1994. Entregue aos serviços de informação francês em condições que ainda permanecem obscuras, acabou extraditado para a França.

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