No Brasil, Twitter é mais forte do que na eleição de Obama

“As pesquisas mostram isso, mas não sei exatamente a que se deve. Talvez à nossa socialização, ao nosso contato, ao nosso jeito…

Impressionado. Foi assim que o jornalista brasileiro Rosental Calmon Alves, diretor do Knight Center for Journalism in the Americas e professor da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, ficou ao perceber a utilização do Twitter na corrida eleitoral de 2010.

“Acabo de chegar em São Paulo e noto que o Twitter parece mais importante na campanha eleitoral brasileira do que tem sido em qualquer outro lugar”, escreveu Rosental em seu microblog.

Em entrevista ao Terra, ele foi ainda mais longe dizendo que o uso da ferramenta é mais importante no País do que na campanha que elegeu o presidente dos EUA, Barack Obama. “Assim? Nunca vi, nem nos EUA em 2008. A internet vai ter uma importância nessa eleição como nunca teve antes”, afirmou o pesquisador.

Para Rosental, o que torna a internet e, especialmente, o Twitter um diferencial na campanha eleitoral deste ano, é o fato de o internauta brasileiro ser mais ativo em rede social que o internauta americano.

“As pesquisas mostram isso, mas não sei exatamente a que se deve. Talvez à nossa socialização, ao nosso contato, ao nosso jeito. Um país onde há toda essa atividade, essa grande conversa, não é de se estranhar que a eleição seja dominada pela internet”, explicou.

No caso dos EUA, o pesquisador observa que o microblog funcionou como importante meio de mobilização dos correligionários de Obama, especialmente os jovens que em outras eleições não queriam participar. “Com o Twitter e o facebook começaram a se envolver mais com a campanha”.

A diferença é que no Brasil hoje, a ferramenta tem sido utilizada para disseminação de informação e tanto por eleitores como por inúmeros candidatos. “O Twitter já está muito mais maduro agora, não como uma rede social, mas como uma rede de informação e os marqueteiros políticos brasileiros perceberam a riqueza de atividade social e estão usando isso muito bem”, explicou Rosental.

Ele fez questão de pontuar que o espaço aberto pela rede de computadores tem aspectos positivos e negativos e todos os pontos precisam ser avaliados. “O Twitter e as outras redes proporcionam oportunidades de uma maior participação cidadã.

Você sente poder e controle sobre a informação, sabe que a sua voz está sendo escutada. O cidadão comum também pode ser escutado. Há uma cidadania espontânea que vem da cidadania do mundo real e que se potencializa na internet”, apontou.

Por outro lado, o diretor do Knight Center for Journalism avalia que liberdade da internet pode ser aproveitada como arma de campanha para infiltrar notícias falsas ou espalhar rumores falsos. Mesmo assim, ele acredita que o internauta convive bem com os mundos paralelos e desenvolverá a perspicácia para se defender.

Rosental disse ainda que, apesar da dinâmica com o Twitter ser nova, muitos pesquisadores internacionais ficaram impressionados já em 2006 com os vídeos feitos por Lula e Alckmin e distribuídos pelo Orkut. “Aquilo já era um sintoma, pois as comunidades na rede social com interesse político já eram significativas em números de eleitores”.

No entanto, o professor da Universidade do Texas admite que, por enquanto, sua opinião é mais uma sensação do atual momento já que não fez um estudo científico sobre o caso. “É preciso esperar e ver amadurecer”.

Juliana Dal Piva
votebrasil.com.br

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