Na Câmara, Lula cobra reforma política, “a mais importante de todas”

Por Mario Coelho – congressoemfoco.com.br

O ex-presidente Lula cobrou nesta terça-feira (29) a realização da reforma política pelo Congresso e pediu coragem dos parlamentares para tratar do tema. Ao receber uma homenagem da Câmara, ele defendeu a aprovação do financiamento público de campanha e criticou a desqualificação da política ocorrida nas manifestações que assolaram o país em junho e julho. Também fez um balanço dos dez anos do PT no Palácio do Planalto e falou dos avanços permitidos pela Constituição de 1988.

“A Câmara não pode temer esse desafio”, afirmou Lula durante discurso após receber a medalha Suprema Distinção, criada pela Câmara em 2002. A ideia da homenagem é agraciar os soberanos, os chefes de Estado, o presidente do Senado Federal, o presidente da República, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e altas personalidades estrangeiras e nacionais que, pelos serviços relevantes realizados em sua atuação pública, “tenham-se tornado merecedores de especial reconhecimento”.

Para ele, a reforma política precisa ocorrer pra “aprofundar e qualificar” os partidos e as instituições brasileiras. Ele entende que as legendas devem ter programas para o país e criticou a quantidade de agremiações partidárias – atualmente são 32, podendo chegar até 36 em 2014. “Hoje temos partidos atuando como meros balcões de negócios”, disse, dizendo que eles são formados apenas para negociar o tempo de propaganda eleitoral e o acesso ao Fundo Partidário.

“A reforma política é a mais importante de todas as reformas que precisamos”, disse, ao defender o financiamento público de campanha. Na visão do ex-presidente, o modelo é “a forma mais republicana” de garantir condições de igualdade nas eleições. A mudança no sistema brasileiro é discutido há pelo menos dez anos no Congresso. No entanto, alterações na forma de escolher os candidatos e financiar as campanhas não chegam a ser votadas nas duas Casas.

Negação da política

Para Lula, as manifestações de junho e julho mostraram uma diferente faceta do brasileiro. Elas não pediam “a cabeça de um político”, mas melhorias no que já existe. No entanto, Lula entende que houve uma negação da política durante os protestos. “A desqualificação [da política] tem servido aos tiranos e aqueles que não são capazes de chegar ao poder por meio do voto”, disparou.

Ele acredita que os descontentes com a atual política e seus representantes, especialmente os jovens, devem usar justamente os partidos políticos como mecanismo de mudança. “O jovem não pode negar a política, ele tem que vir para a política. Ao invés de nos negarem, é melhor que eles venham nos substituir”, disse Lula, ressaltando que os políticos devem ouvir as reivindicações da população.

Durante o discurso, ele defendeu a atuação do Congresso Nacional. Disse que o Legislativo é o poder que “mais se expõe à crítica da mídia” e que “tornou-se banal criticar o congresso e tentar desmoralizar a instituição”. Como forma de mostrar a importância da Câmara e do Senado, citou projetos aprovados durante seus oito anos de mandato e os quase três de Dilma Rousseff, como a criação do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e a aprovação da Lei do Mais Médicos.

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