‘Momentum’ Reflexão!

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Por Claudio Schamis
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Em meio ao caos, me veio à mente um provérbio português: “Quem não te conhece que te compre!”. E fiquei pensando no Temer, na Lava-Jato e em toda essa safra de corruptos que a partir do governo Lula aflorou de forma nunca vista antes na história da nossa província. Isso porque estamos longe de ser um país.

Fiquei esses dias pensando em como deixamos tudo chegar aonde chegou. Será que eles lá de Brasília nunca deram na pinta que algo estava errado? Será mesmo que eles estavam fazendo a coisa tão bem que se não houvesse uma denúncia íamos passar por idiotas, otários por mais sei lá quantos anos?

Dirigindo meu Uber e agora também Cabify e 99 POP, e conversando com meus passageiros das mais variadas classes sociais, consigo obter um desenho feio do que a grande maioria espera. Na verdade, a grande maioria não espera mais nada. E aí fico me perguntando: e agora? Se nós estamos perdendo as forças — se é que já não as perdemos — como podemos pensar numa mudança?

Acho que antes de tentar mudar o mundo, e no nosso caso, o Brasil, teríamos que tentar mudar a nós mesmos. O que vejo no dia-a-dia, por mais banal que seja, acaba refletindo na situação que estamos vivendo. E digo e posso afirmar, vai piorar. Infelizmente.

No trânsito, por exemplo, dificilmente você vê gentileza. Por mais simples que seja, ela não existe. E se não existe gentileza fica claro o sentimento do eu individual. E se há o eu individual, como queremos resolver o coletivo?

Não existe mais — é claro que há exceções, mas não suficientes — o ajudar ao próximo, o se preocupar com o próximo. E tiro como exemplo situações “idiotas” do dia-a-dia, como não vou estacionar aqui dessa forma porque senão esse motorista não vai conseguir sair. Ou vou colocar aqui na vaga de deficiente, mas é só um minutinho. E por aí vai. E foi. Estamos no limbo, desacreditados no país, nas entidades, nos políticos, na espécie humana.

Aqui no Brasil não temos o radicalismo dos atentados terroristas, mas em contrapartida o que os políticos fizeram e parece que continuam fazendo não deixa de ser um “atentado terrorista” contra o próprio povo que os colocaram lá dentro para nos representar e lutar por nós.

Quando um Sergio Cabral rouba da maneira que ele fez, alguns ainda não perceberam, mas ele já matou muitos. A diferença é que num atentado com um carro bomba morrem x pessoas na hora, no caso do roubo que Sergio promoveu, as mortes se dão gradativamente. Você leitor, quantos acha que já não morreram porque não tinha leito no hospital, não tinha remédio, não tinha médico?  E por aí vai.

Como alguém pode ficar sem receber seu salário por meses? E as contas? E suas vidas? E a vida de seus dependentes?

Eles roubam, eles administram mal o dinheiro, eles não cortam uma vírgula das regalias, eles continuam ganhando seus altos salários em dia e em contrapartida pedem paciência e criam essa novela de que estão se esforçando para equilibrar o caixa, e faz reunião, aí a coisa vai para ser votada, aí explode uma bomba, param tudo, pedem paciência. E as pessoas continuam largadas e abandonadas.

Por que então eles não ficam sem receber um, dois meses, três meses? Vão morrer de fome? Tem contas a pagar? Tem que comer? Pois é, a “ralé” também. Aí começam a mexer nas alíquotas de impostos, falam em aumento de impostos o que acaba se refletindo em nós diretamente, porque não existe almoço grátis e a vida segue.

Mas que vida? Será que isso que estamos vivendo é vida? Não, não é. Estamos sobrevivendo como podemos.

Então meus caros, seria mais do que hora de revermos conceitos de forma sincera e assumir o que queremos para as próximas gerações. Pois essas gerações que já estão aí dificilmente vão ver um país melhor. Podem ver alguma coisa mudando, mas um país do jeito que gostaríamos, isso vai demorar e muito.

Blá-Blá-Blá-Blás de Temer!

Esse último discurso do presidente Michel Temer no encontro privado dos Chefes de Estado e de Governo do BRICS, só me fez embrulhar mais o estômago e ficar com mais nojo dele. Ele dentro de toda a sua prepotência disse que ficará até 2018 e que o Brasil começa a entrar nos trilhos.

Só se for nos trilhos do desastre total. Mas infelizmente o que temos assistido é o governo fazendo manobras para adiar o inadiável, para tentar apagar o incêndio causado por eles mesmos e fazendo com que tenhamos que assistir tudo estarrecidos e com as mãos totalmente atadas.

Salve as baleias. Não jogue lixo no chão. Se beber ou não, chama o meu Uber, meu Cabify.

Ou me oferece um emprego no Canadá, nos EUA, na Austrália, em Portugal ou até em Israel. Mas se esforcem para me tirar daqui.

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