Mineração: rentabilidade comprometida

Fonte: acionista.com.br

A exportação brasileira de minério de ferro mostra volumes crescentes. No mês de setembro, atingiu o quarto maior de uma série histórica desde abril de 2005. Foram vendidos ao exterior 28,2 milhões de toneladas, ou 21% superior a agosto deste ano; porém, ainda 3% abaixo do mesmo período do ano passado. Isso reflete o cenário de recuperação de vendas, no entanto, sem retomada de margens para as mineradoras, devido ao preço médio do minério. Em setembro, de acordo com dados da Secretária de Comércio Exterior (Secex), o preço médio do minério de ferro ficou 1% abaixo de agosto, e 39% inferior a setembro de 2008, atingindo US$ 44,4/tonelada. A China respondeu por 58% das exportações no segundo trimestre deste ano, e 66% das vendas totais da VALE no mesmo período.

Relatório do analista Rodrigo Ferraz, da Brascan Corretora, alerta para o patamar dos preços que estão sendo negociados pelas mineradoras brasileiras, pois ele é agravado pela recente apreciação cambial. “Isso torna a receita em reais menores, sem a mesma contrapartida nos custos e, consequentemente, diminui a rentabilidade das operações”, ressalta o analista. Além disso, lembra que a China, maior consumidor mundial de minério de ferro, não definiu um benchmark oficial para setembro de 2010, adquirindo a matéria-prima da seguinte forma: no mercado à vista chinês; ou através de “preços provisórios”, baseados no benchmark acertado entre as mineradoras de outros países. Apesar disso, o atual patamar de US$ 89/ton, em conjunto com o preço do frete do Brasil para a China, proporciona um preço em torno de 25% maior para a VALE, em relação a outros players, inclusive chineses.

Para as mineradoras a revisão para cima das estimativas de consumo mundial de aço é outro sinal da recuperação. Segundo a World Steel Association (WSA), a queda prevista para as vendas neste ano não será mais de 14,1%, mas de 8,6% em relação a 2008. Na opinião da Corretora Ativa, que publicou relatório com os dados, a melhor previsão se deve principalmente ao crescimento do consumo de aço chinês, de 19% em 2009 e 5% em 2010, na comparação anual, como também pela retomada dos países desenvolvidos. Para o Brasil, a estimativa é de queda de 22% em 2009 e alta de 8,6% em 2010. Na América do Norte, a expectativa é de queda de 36% este ano e crescimento de 17% no próximo.

Previsão
Até o início de outubro, o consenso do mercado (pesquisado pela Bloomberg, e citado em relatório da Corretora SLW), era de um preço justo de R$ 10,56, uma queda para o papel da MMX de 18,3% em 2009, frente a cotação de 22.10 de R$ 12,93. Nos primeiros nove meses do ano, a MMX ON teve uma alta acentuada de 293,50%, o que demonstra a recuperação do papel frente à perda de 94,11% em 2008, superior à desvalorização da PNA da VALE, que foi de 52,52%. Até o final de setembro, a VALE valorizou 55,9%, o setor de mineração, 56,4%, e o Ibovespa, 63,8%, de acordo com dados da corretora Ativa.

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