Mesmo com críticas, iPhone comemora cinco anos de sucesso

Em 29 de junho de 2007, milhares de pessoas acamparam em longas filas para garantir a nova tecnologia que mexeu com o mundo. O iPhone foi revolucionário. Em três dias a Apple vendeu um milhão de aparelhos. No entanto, a inovação emblemática gerou críticas ferozes.

Especialistas condenaram o modelo de negócio do iPhone e criticaram a relação de escravo-senhor que a Apple criou com os consumidores ao estabelecer acordos fechados com a operadora norte-americana AT&T’s e com a loja de conteúdo iTunes.

De acordo com o professor Tim Wu, da Universidade Columbia, em Nova York, o modelo de negócio fechado do iPhone contrastou com o design de plataforma aberta que foi o alicerce para o computador pessoal e a revolução da internet. Para Wu, em 2007, a Apple vendeu os dispositivos que são fáceis de usar e geram dinheiro, porém espalharam um temor de anti-inovação e regulação de conteúdo.

Mas, depois de alguns anos, o iPhone venceu as críticas e tornou-se um grande sucesso. Mais de 200 milhões de pessoas adquiriram o dispositivo, inclusive o professor Wu, que anunciou em 2008 que era incapaz de resistir ao iPhone3G.

Desde então a novidade se manteve. No primeiro trimestre de 2012, as vendas globais do iPhone dobraram, chegando a mais de 400 mil novas ativações diárias, e o modelo “fechado” de negócio anteriormente criticado abriu possibilidades fantásticas para o mercado. Em 2012, os downloads para o iPhone ultrapassaram a marca de 30 bilhões, com mais de 650 mil aplicativos disponíveis. Desenvolvedores independentes de software que criaram esses aplicativos estão festejando a iniciativa da Apple. Eles recebem 70% do faturamento da loja, e os lucros chegam a R$ 5 bilhões até agora.

Concorrência

Após ultrapassar a fama do BlackBerry, com sua entrada avassaladora no mercado, o iPhone inspirou um outro concorrente. Em 2008, o Google lançou o sistema operacional Android, um dispositivo móvel que permite a criação de qualquer aplicativo sem custo. O projeto tem sido totalmente bem sucedido, esmagando a Nokia e sua plataforma operacional Symbian. O Google abriu mão do lucro com os aplicativos para gerar seu próprio dinheiro em publicidade móvel, se tornando o grande concorrente da Apple.

O criador do iPhone, Steve Jobs – que morreu em 2011 – criticou o que chamava de “modelo roubado” do Google e elogiava o pioneirismo e a superioridade competitiva do sistema operacional do iPhone. Segundo o presidente do Google, Eric Schmidt, limitar o design do produto para pessoas que pudessem adquirir um dispositivo da Apple seria uma loucura e, citando as vantagens do modelo aberto de negócios, declarou: “O Android vai superar o iPhone”.

Ainda não superou. O iPhone não é apenas o mais popular smartphone, mas também o mais lucrativo. A Apple vende apenas 9% dos aparelhos móveis (inteligentes ou não) do mercado, mas responde por 73% dos lucros do setor. Desde junho de 2007, a Apple aumentou em espantosos US$ 422 bilhões seu valor de mercado, enquanto o Google cresceu cerca de US$ 13 bilhões.

No entanto, recentemente, o Google comprou a maior fabricante de celulares, a Motorola Mobility, e com isso, a empresa tem fornecido dispositivos para os consumidores de massa. Além disso, o Google redesenhou sua loja de aplicativos, o Android Market, interligando-a aos demais produtos da empresa. O GoogleTV também é uma promessa de inovação que irá facilitar o acesso ao conteúdo online.

Não há garantia de que essas iniciativas irão melhorar a qualidade dos produtos ou que o Google irá superar a rival Apple. Todas as estruturas de negócios são misturas, não há uma estratégia pura. A Apple conta com milhares de fornecedores, e o iTunes vende as obras artísticas de um mercado diversificado. A Apple Store prospera com softwares criados por desenvolvedores que não conseguiram encontrar o caminho para o Google nem mesmo usando o aplicativo de mapas do iPhone.

A magia não está em um modelo específico, mas na dinâmica da concorrência. Estabelecer o modelo “fechado” ou “aberto” como garantia de sucesso é, na melhor das hipóteses, uma ilusão, e na pior das hipóteses, um crime contra o próprio consumidor.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

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