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Merkel: Europa passa por pior momento desde a Segunda Guerra

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Chanceler alemã ressalta que problemas em qualquer país da zona do euro afetam os demais

Para combater o que classificou de o pior momento na região desde a Segunda Guerra Mundial, a chanceler alemã, Angela Merkel defendeu nesta segunda-feira, 14, que se coloque a “economia a serviço do cidadão” e não o contrário. A medida seria uma resposta “responsável” às turbulências consequentes da atual crise da dívida que afeta “o mundo todo”. Para isso ela acredita que seja necessária uma maior integração política entre os membros da União Europeia (UE), o que permitirá solucionar a crise.

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A declaração foi feita durante a abertura do Congresso do partido da União Cristão Democrata (CDU), onde Merkel afirmou que o desafio de sua geração é “criar, passo a passo, a união política” na região e que os líderes europeus têm um longo caminho a percorrer para superar a situação que enfrentam. Sobre a situação mais grave de alguns de seus vizinhos da zona do euro, Merkel afirmou que a Alemanha não pode deixar que entrem em colapso.

“Se a Europa não está indo bem, então a Alemanha também não está. Se o euro falhar, toda a Europa falhará junto. O desafio de nossa geração é mostrar que podemos usar a crise para termos um futuro melhor. Nossa resposta, de acordo com as raízes de nosso partido, deve ser uma economia social de mercado responsável e serviço ao cidadão”, disse.

No discurso a chanceler ressaltou a necessidade de que os líderes europeus avancem em território desconhecido para solucionar a crise. Ela defendeu uma revisão dos contratos da UE que faça com que os países que violam as regras de disciplina fiscal enfrentem duras sanções automáticas e que caso necessário sejam levados para o Tribunal de Justiça Europeu. Ela ainda chamou atenção para o fato de que o atual cenário fez as pessoas perceberem que os problemas de qualquer país da zona do euro se tornam problema dos demais utilizadores da moeda. “Nossas responsabilidades não terminam mais nas fronteiras de nossos territórios”, afirmou.

Itália

Para restaurar a confiança do mercado na economia italiana, o presidente do país pediu que o ex-comissário europeu e novo premier, Mario Monti, forme um novo governo. A dívida da Itália é grande demais para ser resgatada pelo bloco do euro, portanto é urgente a união das forças para a implementação de medidas econômicas que ajudem o país a sair da crise.

Um leilão de bônus do país atraiu boa demanda dos investidores, vendendo 3 bilhões de euros em títulos de cinco anos, acalmando um pouco os mercados financeiros . Os juros, no entanto, chegaram a recorde inédito de 6,29%. A alta dos rendimentos fez o Banco Central Europeu (BCE) começar a comprar bônus do governo italiano logo após o leilão.

Futuro

Em discurso de despedida no domingo, 13, o ex-premier italiano Silvio Berlusconi pediu que o BCE se torne um banco de último recurso para ajudar o euro. “Isso se tornou uma crise para nossa moeda comum, o euro, que não tem o apoio que toda moeda deveria ter”, afirmou em mensagem de vídeo.

A crise italiana deixou a situação grega em segundo plano nos últimos dias, porém, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os líderes europeus manterão Papademos sob pressão para implementar reformas radicais. Pesquisas apontam que o premier tem apoio de três em cada quatro gregos.

Começam a chegar em Atenas nesta segunda-feira, 14, inspetores do FMI, do BCE e da União Europeia, que pressionam a Grécia a se qualificar para um segundo programa de resgate, no valor de 130 bilhões de euros, e para uma parcela de empréstimos de 8 bilhões de euros do resgate anterior.

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