Mensalão com os dias contados. Será?

Por Claudi Schamis – opiniaoenoticia.com.br

Agora que eu quero ver. Agora vai começar a verdadeira batalha. Isso me assusta, e já começo a temer pelo pior. Lembrando que estamos no Brasil  e que o fato de ter acontecido o julgamento do mensalão em si já foi um avanço e uma demonstração de seriedade da Justiça maior.

Mas, com esses recursos que podem ser apresentados, embargos de declaração e, posteriormente, embargos infringentes, eu temo pelo pior. Temo pela gargalhada de alguns dos réus acusados, dizendo que agora a justiça foi feita, que eles sempre tiveram a certeza que a verdade iria aparecer. Que verdade? Que justiça?

A fala do ministro Ricardo Lewandowsky acentua mais ainda a minha preocupação, por ele ter sido um dos que mais discordaram do ministro Joaquim Barbosa, relator do processo. Segundo Lewandowsky, pode acontecer de se caminhar, em alguns casos, para a – tão temida por quase todos nós – absolvição desses bandidos. Já a fala do ministro Gilmar Mendes não assusta tanto, mas deixa no ar um cheiro de dúvida, incerteza e medo para quem apostou na prisão desses meliantes.

Fora que o tempo deles agora é outro. Pelo visto, não há pressa, já que agora nada mais pode prescrever. Mas enquanto eles começam a discutir e analisar essa nova etapa de recursos, os réus ficam livres, leves e soltos, aproveitando tudo que a vida pode oferecer. E, claro, com um sorriso debochado no rosto, já certo de que assim ficarão pelo resto de suas vidas.

Além disso, existe um impasse. Os embargos infringentes não estão previstos na lei de 1990. Mas o Regimento Interno do STF, escrito antes da lei, prevê esses embargos infringentes que, se acatados, deverão ser julgados por um novo relator e um novo revisor. Ou seja, mais discussão, mais tempo e…

A coisa é complicada, e muito. Pois tem voto de ministro que já se aposentou, e o seu substituto poderia votar pela absolvição, por exemplo, de José Dirceu. Ele pode ser absolvido da formação de quadrilha, por exemplo, pois a votação ficou em 6 a 4 no STF, sendo que um dos votos foi do (agora aposentado) ministro Ayres Britto. Caso isso seja votado novamente e o seu substituo o absolva, a votação empata, o que em ações penais força o tribunal a favorecer o réu. No caso, a pena de Dirceu cairia de 10 anos e 10 meses para 7 anos e 11 meses e ele ficaria no regime semiaberto.

Estou em total acordo com Roberto Gurgel, procurador-geral da República, que disse que tem muitas decisões em que só cabe ao réu se conformar – e correr para a cela (esse último adendo é meu).

Agora sim, acho que podemos dizer que quem está fazendo joguinho político para desqualificar a condenação dos réus do mensalão são eles próprios e não quem fez a denúncia.

Ahn…

Antes tarde do que nunca!

Depois das denúncias envolvendo o Programa Minha Casa Minha vida, o governo estuda mudar alguns pontos, principalmente o que diz respeito ao repasse do dinheiro destinado à construção de casas populares para cidades com 50 mil habitantes, onde os lobos atuavam e faziam a festa. Lobos não, ratos.

Pelo menos nesse ponto temos que elogiar a presidente Dilma, que em vez de tapar os olhos e fechar os ouvidos como fez seu antecessor, Lula, com a questão do mensalão e outras coisitas mais, assumiu que houve falhas e que elas serão sanadas.

Mas, de qualquer modo, é bom ficar de olho para ver se tudo será mesmo investigado e se poderemos ver o dinheiro voltar ao seu destino. O que eu já acho mais complicado, mas… quem sabe né? Ainda mais agora que já se começa um movimento visando às próximas eleições.

 

Será que vai rolar? (ou enquanto isso…)

Controlar o Programa Minha Casa Minha Vida é complicado devido à sua magnitude. Deveria já ter ficado claro para a presidente Dilma que criar mais um ministério é brincar com fogo.  Não é nem por quem vai assumir, mas pelo fato de que é mais um que pode um dia gerar algum “malfeito”, já considerando a nossa experiência em muitos ministérios. Fora que isso está com toda a cara de tentar aumentar a possibilidade de reeleição, num transparente joguinho (político) onde quem ganha é a banca, no caso, a Dilma, que tem se mostrado uma crupiê profissional. Claro que Dilma vai negar até a sua morte e vai sustentar que com a criação do 39º ministério, o da Micro e Pequena Empresa, que vai ter como ministro o vice-governador de São Paulo, Afif Domingos,  quis homenagear um brasileiro que colocou na pauta do país o apoio às pequenas e microempresas.

E vem cá, precisa criar um ministério só pra isso? Dá uma placa de bronze, manda fazer um busto, põe uma rua com o nome dele, um túnel, uma ponte, sei lá, mas todo um ministério?

A Dilma agora está parecendo nossos vereadores aqui do Rio que ficam criando homenagens sem nexo e dando medalhas Pedro Ernesto. Para com isso. Deixa disso.

Só falta agora ela querer homenagear o José Sarney pela vida política dele e pelo bem (mal) que ele fez pelo país criando o 40º ministério que ainda estaria sem nome, mas aceitam-se sugestões. Só não vale ser nada das Arábias que ia pegar mal. Muito mal.

Será que Freud explica?

Freud Godoy parece que não tem muito o que falar e faz a sua cara de sempre

 

A Polícia Federal ouviu o ex-assessor especial da Presidência durante o governo Lula, Freud Godoy, que andou recebendo uma graninha repassada a ele por Marco Valério, o operador do mensalão, que Lula diz que não aconteceu.

Mas nem precisa deitar no divã, só acompanha. Se Freud era assessor de Lula e uma pessoa bem próxima a ele, como é possível que Lula não tivesse conhecimento de que contas suas eram quitadas?

Já Freud disse que não era bem assim, não era bem isso. O que nós sabemos é que quanto mais se cava, mas se abre a lente, mais lama vem à tona e sempre com uma etiqueta com o nome de Lula. Mas ele (Lula) continua negando que a etiqueta é dele. Ela naturalmente foi plantada por pessoas covardes que querem acabar com sua ilibada imagem. E que a imprensa também tem a sua parcela. A oposição. E seus inimigos.

Talvez Lula também esteja preocupado em parar de ganhar prêmios – também não me perguntem, nem sei quem foi que começou a achar que ele merecia – como os sete que ele irá receber de uma só vez semana que vem de doutor honoris causa de universidades argentinas. Mas, cá entre nós, isso só poderia ser coisa de argentino. Com todo o respeito.

 

 

Se Freud não explica, quem explica?

Quem explica como o presidente da Câmara do Rio, Jorge Felipe (PMDB), esqueceu – para não falar omitiu – de declarar que tem um apartamento de luxo na Barra da Tijuca que está avaliado entre R$ 1,7 e R$ 2,2 milhões? Ele justificou que nem considera dele o apartamento, pois quem comprou foi a sua esposa.

Quem explica essa ideia esdrúxula de importar médicos de Cuba? Nada contra, se antes, porém, o governo estudasse dar um salário digno para os nossos médicos, que precisam se sentir valorizados, pois eles salvam vidas.

Quem explica essa atitude insana do desembargador Siro Darlan de mandar soltar todos os bandidos que invadiram o Hotel Intercontinental em 2010? Para Darlan, ele apenas interpretou a lei. Que lei? Nessa ação uma pessoa morreu, seis ficaram feridas, fora a imagem de insegurança que passamos, uma vez que a ação aconteceu num hotel de luxo que recebe turistas do mundo todo. Mas para Darlan isso é nada. Imagina quando for tudo!

Salvem as baleias. Não joguem lixo no chão. Não fumem em ambiente fechado.

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