Medalha da Câmara vira ação entre amigos

Por Pedro Venceslau  – revistaforum.com.br
Foi em 1983 que a Câmara dos Deputados instituiu sua mais alta honraria: a Medalha Mérito Legislativo. A ideia até que não era ruim. Abres aspas: “Homenagear cidadãos, instituições ou entidades, campanhas, programas ou movimentos de cunho social, civil ou militar, nacionais ou estrangeiros, que ajudaram a promover no plano social, econômico, cultural ou político o desenvolvimento do País”. 
Como de boas intenções até a Uniban está cheia, o tal prêmio logo virou (mais) uma ação entre amigos. A solenidade desse ano acontece amanhã, às 15 horas, no Salão Negro do Congresso Nacional. O lugar é apropriado, diga-se. Já a lista de agraciados é um convite à zombaria. Trinta referências do Brasil receberão medalhas. Ao custo de R$ 119 a unidade, cada uma delas tem 55 mm e são feitas de metal dourado. Na frente, levam o nome da pessoa e as iniciais “CD”. Na parte de trás, reluz o brazão da república. Coisa fina. 
José Carlos Brandi Aleixo, “padre, intelectual e fundador do PSC”, levará uma para casa. Adivinhe só quem vai colocar a peça no pescoço dele? O deputado Hugo Leal, líder do PSC, seu partido, na casa. Já Cleber Verde, que apesar do nome é deputado do PRB, vai solenemente colocar uma medalha no pescoço de Vitor dos Santos. Ganha uma foto autografada do Michel Temer quem adivinhar de qual partido Santos é presidente… Do PRB, claro. O ministro Carlos Lupi, que também é comandante em chefe do PDT, levará a sua. Por iniciativa de quem? Do líder do PDT. 
O cerimonial da Câmara informa que o nome dos homenageados com a distinção é indicado por parlamentares para a segunda-secretaria, órgão comandado por Inocêncio Oliveira, que também é responsável pela guarda das medalhas. As indicações são referendadas pelo presidente da Casa, deputado Michel Temer (PMDB-SP). Ele só bate o martelo depois consultar as lideranças partidárias, que formam um colegiado de 20 pessoas aproximadamente. Ou seja: cada partido faz sua média. 
Há, porém, quem resista à tentação de homenagear o próprio cacique. É o caso do paulista Cândido Vacarezza, líder do PT, que escolheu Ibrahian Alzeban, embaixador da Palestina. E de Henrique Fontana (PT-RS), líder de governo, que selecionou a combativa Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.

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