Marco Feliciano, o PT e o que restou!

Por Claudio Schamis – opiniaoenoticia.com.br

Hoje está tudo muito claro. Muito transparente. Hoje sei que Marco Feliciano está na presidência da Comissão de Direitos Humanos não porque ele se preocupa com a causa, porque gosta de ser justo, porque é filho de Deus, ou por achar lá no íntimo do seu ser que poderia até vir a ser um candidato ao prêmio de quem faz a diferença. Ele até faz, mas para o mal.

Gente, Marco Feliciano está na Comissão de Direitos Humanos única e exclusivamente por um motivo: birra com o PT.

Engana-se Feliciano quando afirma que ficou com essa comissão porque foi o que sobrou para ele. Como se a comissão e do que ela trata fossem sobras, lixos e algo desprezível. Quem é Feliciano para falar de peito estufado uma coisa dessas? Quem é esse pastor-deputado que diz que Deus só faz milagre mediante contribuição monetária? Que preceitos são esses? Que fé é essa? Que ideia é essa de que homossexuais, gays e negros são coisas do mal, de Satanás?

Feliciano disse que houve um acordo com o governo e que o partido dele, o PSC, ficaria encarregado da Comissão de Fiscalização, mas que o acordo foi quebrado. Diz que o PT não cumpriu o acordo e que então o que “sobrou” foi a tal da Comissão de Direitos Humanos. Ainda assim, o PT disse que a indicação de Feliciano não seria uma boa coisa, já sabendo do histórico homofóbico dele. O PSC por sua vez achou muita petulância o PT querer mandar na sua própria indicação e então analisaram o currículo dele (Feliciano) e ele foi ungido “Rei” da Comissão dos Direitos Humanos.

Será que ninguém percebeu ainda que o PSC na verdade pouco se importa com a comissão em si? Eles querem ir contra o PT de qualquer maneira. E a maneira que acharam foi colocando Feliciano no cargo. E deu no que deu. O assunto vem rendendo. Ganhou as páginas dos jornais, manchetes e mídia virtual. Mas nada disso será para ser usado em prol de quem a Comissão dos Direitos Humanos defende. Eles querem fazer barulho; chamar atenção. Ponto (negativo) para eles.

Feliciano agora se faz de Homem de Ferro e diz que só sai morto. Só que ele deve ter pensado melhor e resolveu mudar sua tática e sua barganha. Agora ele só sai se os mensaleiros condenados à prisão no julgamento do mensalão, José Genoino (PT-SP) e João Paulo Cunha (PT-SP) saírem da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Que é outro absurdo. Uma Comissão de Constituição e Justiça terem nela trabalhando dois condenados da justiça. Que comissão é essa? Que Justiça é essa? Que Constituição é essa?

Uma coisa é líquida e certa. Perdemos todos nós enquanto não olharmos de maneira séria para quem a gente coloca em Brasília. Tem gente boa, mas tem muito resto por aí que, por falta de coisa melhor, resolvem entrar para a política. Sou totalmente a favor de se colocar lixo no lixo , até onde eu sei, o Congresso não é um lixão. Ou não deveria ser.

E por falar em lixo…

Currículos imaculados não serão mais aceitos para cargos em qualquer comissão criada pelo governo

Juro que queria pelo menos entender como é fácil, mesmo estando com o nome sujo e com ações penais na Justiça, certas pessoas ganharem cargos importantes em comissões importantes e que supostamente precisariam que fossem exercidos por pessoas mais idôneas, digamos assim. A não ser que seja uma condição “sine qua non” ter no currículo processos dos mais variados calibres. Temos para todos os gostos e processos. João Magalhães (PMDB-MG), que é presidente da Comissão de Finanças e Tributação responde por ação penal por corrupção passiva e a cinco inquéritos por crimes contra o sistema financeiro, além de peculato e tráfico de influência. Esse tá realmente em casa. Já Sérgio Moraes (PTB-RS) presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano, responde por crime de responsabilidade. Giacobo (PR-PR) que é presidente da Comissão de Agricultura, responde por sonegação fiscal. Temos também o deputado Décio Lima (PT-SC), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que responde a quatro inquéritos por crimes contra a Lei de Licitações e por improbidade administrativa. Já o presidente da Comissão de Trabalho, Roberto Santiago (PSD-SP), responde por crime eleitoral. Sem esquecer do ex-jogador Romário (PS-RJ), da Comissão de Turismo e Desporto, que responde a inquérito contra o meio ambiente. Ah, claro, tem o deputado Lincoln Portela (PR-MG), presidente da Comissão de Legislação Participativa, respondendo por crime de improbidade. Fora o próprio Marco Feliciano que todos já sabem qual o seu crime e que preside a Comissão de Direitos Humanos.

Daqui a pouco vamos ter que pedir para que se crie uma Comissão para fiscalizar as outras comissões. Só não chamem o Demóstenes Torres, o Sarney ou o Maluf para presidente.

Não posso de maneira nenhuma esquecer, para não cometer injustiça, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que, para fugir da cassação, renunciou ao mesmo cargo de presidente do Senado e assim conseguiu manter-se senador apenas para, algum tempo depois, voltar para onde ele nunca deveria ter entrado. E ele sendo o que é já cuidou até da sua blindagem. Para isso nomeou para presidir o Conselho de Ética seu aliado e de Sarney, o senador João Alberto Souza (PMDB-MA), que é conhecido como um “engavetador” de processos e que já avisou que sua atuação será isenta, mas não vai denegrir a imagem de seus colegas. Ou seja, Renan estará a salvo no que diz respeito à ética, apesar de não tê-la em seu currículo. E também Fernando Collor de Melo (PTB-AL), que é presidente da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência. Muito inteligente isso.

É isso que temos representando nossos interesses. Não que precisamos de santos. Mas precisamos de pessoas sérias e com um currículo um pouco melhor. Esse descuido é como se abríssemos uma queijaria e chamássemos os ratos para a inauguração. Ou uma madeireira e chamássemos os cupins para um coquetel.

De cupins e ratos já estamos cheios. Precisamos de gente agora.

 

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