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Mantega volta a afirmar que recomendará veto a Lula

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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta segunda durante uma conferência sobre investimentos em infra-estrutura no Brasil, no Rio, que ainda não conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o aumento dos aposentados, mas que o ministério é contra a decisão aprovada na semana passada na Câmara.

– O encaminhamento do Ministério da Fazenda é de que haja o veto a esse aumento de 7,7% aos aposentados, porque ele compromete os gastos públicos. Nós já teríamos um aumento de mais de R$ 2 bilhões se o aumento fosse de 6.14% neste ano.

Para Mantega, os aumentos dados aos aposentados têm sido razoáveis, já que a maioria deles já se beneficiou de aumento real pela aposentadoria.

– E mesmo os aposentados que ganham mais de dois salários mínimos também estão tendo aumento real. O Brasil é um dos poucos países que dão aumento real aos aposentados. É bom porque o aposentado tem o direito de ter uma vida melhor, mas há limites e acho que o Congresso está extrapolando estes limites.

Mantega também disse que para manter o crescimento equilibrado da economia o governo vai continuar a diminuir os estímulos ao consumo e reduzir gastos correntes de ministérios.

– Nós já eliminamos os descontos do IPI em praticamente todos os setores. As taxas de juros já subiram e estamos estudando a possibilidade de diminuir, de reduzir, o consumo do governo, se for comprovado que o crescimento é mais forte do que aquilo que desejamos, acima de 6% – afirmou.

Mantega disse que todos os ministérios devem ter seus gastos correntes cortados, mas que os investimentos na Área Social e no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) vão continuar, para não criar gargalos, provocar falta de energia ou de transporte.

– Os demais programas de custeio poderão ser postergados ou diminuídos no momento.

Segundo o ministro, a demanda nacional hoje está crescendo cerca de 8,5% em relação ao ano anterior e o governo não quer diminuir a demanda do setor privado.

– Nós aumentamos a demanda do setor público para sair rapidamente da crise e estimular a economia. Agora é o momento de retirar os estímulos e a gente regula através da diminuição de gastos de custeio.

Exportações só em 2012 – Ainda segundo o ministro, por causa da crise que afeta hoje a Europa, o Brasil deve demorar pelo menos dois anos para recuperar as exportações que perdeu nos últimos meses.

– A economia americana, que é muito importante, já está em recuperação e, se esta crise não atrapalhar, teremos uma recuperação efetiva nos próximos dois anos.

O ministro afirmou, entretanto, que o crescimento do país em 2010 será o mesmo, independentemente da crise que hoje afeta alguns países da região do euro.

– As conseqüências para o Brasil foram a volatilidade na Bolsa e a saída de capitais, mas nada preocupante. O Brasil continua sólido e estamos preparados para crises muito piores que esta.

Mantega acredita que os investimentos de mais R$ 500 bilhões de euros, além do auxílio à Grécia de US$ 110 bilhões, serão suficiente para aplacar a crise.

– De fato, houve um atraso por parte dos países europeus em tomar uma atitude, mas neste fim de semana finalmente resolveram botar a mão no bolso e acho que agora chegamos a um instrumento capaz de acalmar essa crise.

Agência Brasil

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