Brasil  

Mantega: quase já se pode afirmar que Brasil é um país de classe média

Daniel Lima
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O crescimento da economia brasileira neste ano, entre 5,5% e 6%, se dará sem desequilíbrio macroeconômico, sem formação de gargalos ou de bolhas, prometeu hoje (12) o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao participar da reunião da direção nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Segundo ele, “quase já se pode afirmar”, que o Brasil é um país de classe média e o governo tem a inflação sob controle. Para ele, se não fossem os alimentos, que ficaram mais caros por causa da chuva, principalmente em São Paulo, os índices de inflação seriam menores.
Mantega também voltou a enfatizar que a economia brasileira já está aquecida e voltou aos níveis pré-crise – outubro de 2008, que a estimativa é que sejam gerados 2 milhões de empregos neste ano.
Ele destacou que houve aumento real do salário mínimo e redução das desigualdades, com o aumento de renda e o crescimento do segmento social conhecido como classe C ou classe média, reduzindo-se os segmentos D e E. Pelos cálculos apresentados, a classe C já representa mais de 50% da população brasileira.
Sobre o aumento do salário mínimo, ele afirmou que hoje tem o maior poder de compra da cesta básica. “Quando nós começamos o governo, o mínimo mal comprava uma cesta básica. Hoje, compra quase duas. Quase que duplicou o poder de compra do mínimo. Fundamental para diminuir a pobreza e ampliar o mercado consumidor”, disse lembrando que essas fatores foram fundamentais para o enfrentamento da crise.
O ministro lembrou que diante das turbulências do ano passado, os outros países tiveram o consumo retraído, mas, no Brasil, foi um período que coincidiu com uma forte atuação da classe consumidora, pois existe no país segmentos da população com capacidade de compra, com salário e rendas maiores, que estimulam o comércio.
O consumo, segundo os dados do ministro, deve ter crescimento entre 8% e 8,5% este ano. O número é considerado importante pela equipe econômica porque é com base nele que os empresários fazem os investimentos. Em consequência, aumentam o emprego, a renda, o mercado consumidor e cria-se um ciclo virtuoso para a economia.
O ministro defendeu os investimentos em infraestrutura que vêm sendo feitos, incluindo ferrovias, estradas, portos, refinarias, trem-bala, além de hidroelétricas para evitar, segundo ele, o apagão energético que houve em 2001. Mantega disse ainda aos participantes do encontro da CUT que não existia política industrial antes no Brasil e que o termo era considerado palavrão para muitos.
Mantega enfatizou ainda o fortalecimento das estatais, que para ele devem sempre ser fortes e eficientes, e lembrou dos estímulos que o governo deu à indústria naval, sem o qual o Brasil estaria dependente de tecnologia externa. “Isso é o Estado estruturando crescimento sem ineficiências”, disse.

Edição: Tereza Barbosa

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