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Malvinas: contra soberania argentina, ingleses iniciam prospecção

Fonte: vermelho.org.br

A petrolífera britânica Desire Petroleum, que ganhou concessão para explorar petróleo nas ilhas Malvinas, começou nesta segunda (22) a perfuração de um campo de prova para a extração do óleo. O assunto abriu crise entre Inglaterra e Argentina, uma vez que esta denuncia a violação de sua soberania. No domingo, diplomatas dos 32 países participantes da Cúpula da Unidade da América Latina e do Caribe aprovaram  resoluções que reiteram o apoio regional à Argentina na disputa pelas ilhas Malvinas.
Nos dois textos aprovados, o grupo exorta o Reino Unido a não realizar prospecções de petróleo no local. O documento deve ser divulgado oficialmente nesta terça, no final da cúpula de dois dias. A Calc “reafirma o seu apoio aos legítimos direitos da República da Argentina na disputa de soberania com o Reino Unido”, diz uma das resoluções. O outro documento afirma que “devem ser respeitados os termos da resolução 3.149 da Assembleia Geral da ONU”.

Aprovada em 1976, esta resolução “insta às duas partes que se abstenham de adotar decisões que envolvam a introdução de modificações na situação” nas ilhas Malvinas enquanto a disputa não estiver totalmente resolvida.

A introdução do tema das Malvinas nesse encontro foi resultado de um intenso trabalho de bastidores da Argentina. O assessor para assuntos internacionais da presidência do Brasil, Marco Aurélio Garcia, declarou apoio à demanda argentina pela soberania das ilhas Malvinas. “O Brasil manterá a posição histórica de solidariedade com a Argentina”, afirmou.

Apesar dos protestos, o governo britânico ratificou que a prospecção de petróleo nas Malvinas aconteceria e que está preparado para defender o território, que já foi motivo de uma disputa bélica entre os dois países, em 1982.

Para Garcia, “esta é uma questão de alta sensibilidade para toda a região” e, “diferentemente do passado, hoje há uma posição consensual na América Latina de apoio às reivindicações da Argentina no que diz respeito a soberania das Malvinas”.

Ele lembrou que, quando houve a Guerra das Malvinas (1982), “a situação era diferente”. Naquela época, observou, houve países que apoiaram os ingleses, além do fato de que a Argentina “vivia um regime cruel, militar e tudo isso poderia tornar mais turva a situação”. Mas, mesmo naquele momento e naquelas circunstância, salientou, a posição da diplomacia brasileira foi de apoio à Argentina.

Reação argentina; resistência britânica

Descontente com a postura do governo britânico de autorizar a prospecção de petróleo, a Argentina reagiu e impôs restrições à navegação no entorno da ilha há duas semanas. Todos os navios que pretendam realizar esse trajeto deverão contar com autorização prévia. No entanto, em Port Stanley, capital das ilhas, não existe preocupação com as retaliações provenientes de Buenos Aires.

“As ações tomadas pelo governo argentino não vão evitar que a exploração de petróleo continue tal como foi planejada”, declarou Phyl Rendell, diretora do Departamento de Energia das Malvinas, ao jornal kelper Penguin News.

Nos próximos três meses outras três empresas petrolíferas britânicas (Falkland Oil & Gas, Rockhoper e Borders & Southern Petroleum) iniciarão suas perfurações na área. As licenças emitidas pelos kelpers para explorações não são reconhecidas pelo governo argentino.

A disputa sobre as Malvinas, sob controle britânico desde 1833, já foi objeto de uma guerra em 1982, quando os argentinos foram derrotados. 

A Desire Petroleum diz que não quer se envolver nas disputas entre a Grã-Bretanha e a Argentina. “A Desire é uma companhia de petróleo e está explorando petróleo e não está se envolvendo no que a Argentina está dizendo sobre recorrer à ONU. A plataforma está localizada firmemente dentro das águas britânicas”, afirma o porta-voz da companhia. Segundo ele, a Argentina está começando seu próprio programa de exploração de petróleo nas águas a oeste das ilhas.

David Willie diz que a exploração nas Malvinas está em um estágio inicial, e mesmo se quantidades comercialmente viáveis forem encontradas, levará ainda muitos anos para que elas comecem a ser extraídas.

O ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, David Miliband, disse que a exploração britânica de petróleo na região “está completamente de acordo com a lei internacional”. O primeiro-ministro Gordon Brown também afirmou na semana passada que seu governo tomou “todas as medidas necessárias” para assegurar que as ilhas estejam protegidas.

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