Lula pede a Dilma para privilegiar ‘fiéis’ na reforma ministerial

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Dilma-e-Lula-Wilson-Dias-abrO ex-presidente Lula fez um pedido especial à sucessora na primeira conversa entre ambos depois da divulgação do pacote fiscal, na segunda-feira (14), quando um bloqueio adicional de R$ 26 bilhões no orçamento de 2016. Ontem (quinta, 17), Lula pediu à presidenta Dilma Rousseff que ela promova uma reforma ministerial mais ampla e que privilegie aliados fiéis – para o cacique petista, isso garantiria sustentação suficiente para barrar eventual processo de impeachment no Congresso e ainda asseguraria a aprovação do ajuste fiscal em meio à crise político-econômica. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

O jornal listou partidos que votaram majoritariamente contra medidas da primeira etapa do ajuste fiscal mesmo à frente de ministérios – principalmente PDT (Trabalho), PR (Transportes) e PRB (Esporte). Para Lula, é preciso “pôr no Ministério quem ajuda o governo no Congresso”, e tirar do posto titulares de pastas que não exercem influência positiva para o governo junto aos parlamentares.

Lula disse acreditar que, ao afastar os “traidores” da Esplanada dos Ministérios, Dilma diminuiria a possibilidade de seu afastamento da Presidência da República. A avaliação de Lula é que, em uma Câmara sob o comando do agora oposicionista Eduardo Cunha (PMDB-RJ), seria “muito difícil” frear um eventual processo de impeachment em meio à pressão popular.

Depois da conversa com Dilma, acrescenta o jornal, Lula jantou com ministros do PT e classificou como “gravíssima” a situação do segundo governo Dilma. O diagnóstico durante a reunião foi de que uma derrota no Congresso pode ser fatal para Dilma. “Nós precisamos nos unir. Mesmo quem não concorda com um ponto aqui, outro acolá, tem de apoiar nossa companheira. Mas nós também precisamos dar uma notícia boa para a população. Não dá para só falar em desemprego, recessão, imposto e corte”, disse Lula, de acordo com um dos participantes do jantar.

Lula disse ainda que Dilma precisa dar uma “chacoalhada” em sua gestão, mudando a articulação política – pacote de mudanças que incluiria a Casa Civil chefiada por Aloizio Mercadante, cuja atuação desagrada a parte dos aliados no Parlamento. O ex-presidente aconselhou que Dilma volte a se aproximar de seu vice, Michel Temer, presidente nacional do PMDB, principal partido da base.

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