Brasil  

Lula não quis encarar o déficit da Previdência dos servidores. Dilma, agora, diz querer fazê-lo

Por Ricardo Setti – http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti

Amigos, a presidente Dilma ao que parece resolveu fazer algo que seu antecessor, Lula, empurrou gostosamente com a barriga — nada de arriscar sua popularidade com medidas polêmicas, por mais necessárias que fossem.

Lula conseguiu uma importante reforma constitucional modificando, para muito melhor em matéria dos interesses do país, a aposentadoria dos funcionários públicos — isso logo em seu primeiro ano de governo, 2003.

Dali para a frente, os funcionários que ingressassem no serviço público se aposentariam de acordo com as mesmas regras dos demais trabalhadores brasileiros. Se quisessem, como aposentados, manter o poder de compra, nos casos em que o teto do INSS fosse inferior aos vencimentos que percebessem, os funcionários teriam a possibilidade de contribuir para um fundo que lhes complementaria no futuro os salários — tal como fazem cerca de 8 milhões de brasileiros que trabalham na iniciativa privada.

A emenda constitucional, porém, necessitava de lei que a regulamentasse. E Lula só enviou o respectivo projeto para o Congresso 4 anos depois, no primeiro ano do segundo período do lulalato. E jamais se empenhou em que a matéria caminhasse. Desde a reforma da Constituição, em 2003, até o final de seus 8 anos no governo, 200 mil novos funcionários ingressaram na máquina pública, continuando a gozar do benefício da aposentadoria integral — que, a despeito da contribuição que fazem os servidores, é altamente deficitária.

Agora, a presidente Dilma encara o problema, como vocês podem ler na notícia abaixo. O tamanho do problema também está no texto: o déficit anual da Previdência dos funcionários é de assustadores 51 bilhões de reais.

Os sindicatos de funcionários, como sempre, estão contra. Confiram na notícia que se segue.

Da Agência Brasil

Governo busca alternativa para previcência do setor público

O governo está buscando uma alternativa para reduzir o déficit da Previdência dos servidores públicos federais. Para isso, concentra esforços para que o Projeto de Lei (PL) 1.992/07 que cria a Previdência Complementar dos servidores públicos tramite de forma rápida na Casa.

O texto, que estava parado há dois anos, já foi aprovado na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados no fim de agosto e está agora na Comissão de Seguridade Social e Família. A matéria também será analisada pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição, Justiça e Cidadania. Depois, seguirá para o plenário da Casa. Aprovado na Câmara, seguirá para análise do Senado.

O secretário de Previdência Complementar do Ministério da Previdência, Jaime Maiz, disse à Agência Brasil que o déficit da Previdência do servidor público chega a R$ 51 bilhões e, por isso, há a necessidade de se criar um novo modelo previdenciário para a categoria.

“Desonerar o Estado e proporcionar uma boa aposentadoria”

“[Decidimos] dar prioridade à matéria como forma de criar uma alternativa para o futuro servidor público, de maneira que venha a desonerar o Estado e que proporcione uma boa aposentadoria aos novos servidores”, explicou.

Maiz disse ainda que a médio e longo prazo o governo terá uma desoneração porque, com a nova proposta, ele vai ter uma redução em sua contribuição, que passará de 22% para 7,5%, no caso de quem ganha acima do teto da Previdência do trabalhador da iniciativa privada.

“O governo passará a contribuir em duas parcelas. Nos salários até R$ 3.689,66, ele continuará contribuindo com 22% e naqueles acima desse valor passará a contribuir com 7,5%. A médio e longo prazo, a União terá uma desoneração e vai fazer com que esse déficit também seja reduzido”. Já os servidores continuariam contribuindo com uma parcela de 11% sobre o valor total dos seus proventos.

Ele enfatizou que não há uma crise previdenciária no Brasil, mas que é preciso “redesenhar o futuro para que a próxima geração não pegue a Previdência com um déficit tão grande. A médio prazo, teremos um déficit decrescente, e o Brasil terá um futuro previdenciário mais promissor.”

Para dirigente sindical, a Previdência “não é deficitária”

Para o secretário-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), José Nilton da Costa, a proposta não vai trazer qualquer benefício para o servidor público. “A Previdência do servidor público não é deficitária [como o governo alega]. Ele é superavitária. O servidor público, diferentemente do da iniciativa privada, contribui sobre o valor total do seu rendimento. Por isso, ele deve receber de aposentadoria o que pagou”, disse.

Costa acrescentou que, como o projeto ainda vai passar por outras comissões, a Condsef fará um trabalho de convencimento dos parlamentares para que a proposta não seja aprovada da forma como está. “Entendemos que não há necessidade de adotar uma Previdência complementar, e nós vamos tentar derrubar na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça] esse projeto porque ele é prejudicial ao servidor”. O secretário informou que a confederação já fez reuniões com o governo e com os parlamentares, mas que acredita que o governo vai tentar aprovar o projeto da maneira como está.

Só para os futuros funcionários

O projeto de lei prevê que os funcionários que entrarem no serviço público a partir da data de instituição do novo regime de Previdência ficarão obrigatoriamente sujeitos a ele. Estariam submetidos a esse regime os servidores de cargo efetivo da União e suas autarquias e fundações, membros do Legislativo, do Judiciário, do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União. A nova regra não atingiria quem já está no serviço público.

O regime estabelece um teto para as aposentadorias do serviço público, e aqueles que recebem acima desse teto teriam que aderir à Previdência complementar, no caso a Fundação de Previdência Complementar do Serviço Público (Funpresp). Por sua vez, o governo garantiria o valor do teto da aposentadoria do Regime Geral de Previdência, que hoje está R$ 3.689,66, para o servidor público federal.

A participação na entidade é facultativa, e a contribuição será feita em modalidade que poderá ser revista sempre que necessário. Os requisitos para a participação, forma de concessão, o cálculo e pagamento do benefício serão definidos no regulamento dos planos. Quem não aderir à Previdência complementar ficará sujeito ao teto do novo regime.

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