Brasil  

Lula culpa “elite brasileira” e defende Mais Médicos

O ex-presidente Lula defendeu nesta terça-feira (23) a importação de médicos pelo governo federal para trabalhar nas periferias das grandes cidades e do interior do país. Para ele, a medida é provisória e visa “preencher um vácuo” deixado pela falta de profissionais nessas localidades. Ele também criticou a “elite brasileira”, responsável por, na visão dele, em acabar com a CPMF em 2007. Os recursos da contribuição eram destinados para a saúde.

De acordo com o ex-presidente, ele e a presidenta Dilma Rousseff sabem que é preciso melhorar muito a estrutura da saúde no país. No entanto, culpou setores conservadores pela queda de CPMF em 2007. Na visão do ex-presidente, a intenção na época era prejudicar o início da sua segunda gestão. Em discurso no 6º Festival Latinidades, disse que a área perdeu R$ 350 bilhões de lá para cá com o fim da contribuição.

“Eles simplesmente tiraram o dinheiro achando que iam me prejudicar”, disparou. Ele acrescentou que, na época, tinha suas contas médicas bancadas pela Presidência da República. E hoje o nome do seu plano de saúde é “Lula. “Hoje eu nem preciso de plano. Só o Lula é um plano”, afirmou. “Isso estava atravessado na minha garganta.”

No discurso, Lula defendeu o programa Mais Médicos, lançado por Dilma há duas semanas para suprir a carência de profissionais. Além de aumentar o curso de medicina de seis para oito anos, prevendo o estágio remunerado obrigatório no Sistema Único de Saúde (SUS), permite a importação de médicos para trabalhar em áreas específicas.

“Se os médicos não querem trabalhar no sertão, que a gente então traga outros médicos”, disparou. Ele disse que a intenção do governo não é “tirar o emprego de ninguém” e que as pessoas, ao invés de ficarem discutindo, precisam “encontrar uma solução”. “Algumas especialidades estão falta nesse país. O que nós queremos é que se preencha esse vácuo. Enquanto não preenche, vamos trazer gente de fora para nos ajudar”, discursou.

Maldade

Durante o discurso, Lula fez diversas críticas ao que qualificou de setores conservadores da sociedade. Reclamou da “maldade de alguns”, que seriam os responsáveis por espalhar boatos sobre sua saúde. Ele voltou a negar a possibilidade de o câncer diagnosticado tenha voltado. “É tamanha a falta de caráter que passaram a insinuar que eu estou com câncer e estou com metástase”, disse.

O ex-presidente disse que, caso a doença volte, não vai “esconder do povo brasileiro”. “Eu posso dizer para vocês que o câncer não existe mais. Algumas pessoas de muita má fé veicularam isso na internet”, completou. Em outubro de 2011, Lula foi diagnosticado com um câncer na laringe. Após tratamento no Hospital Sírio-Libanês, os médicos informaram que não havia mais vestígios da doença, em junho de 2012.

Imprensa

Além das críticas a setores conservadores, Lula não poupou a imprensa. Em tom de brincadeira, disse estar com “cócegas na garganta” para falar sobre a mídia. “Queridos companheiros da imprensa: estou com saudade de vocês. Certamente alguns estão irritados porque nao podem mais falar mal de mim”, disse.

Depois, reclamou das críticas feitas a Dilma. “Será por ela ser mulher”, questionou. Para o ex-presidente, primeiro as análises eram favoráveis à presidenta, enquanto ele ainda era criticado. No entanto, ao verem que eles não são diferentes, as críticas têm sido mais pesadas do que anteriormente. “Agora estão com preconceito contra ela maior do que tinham comigo.”

Partidos políticos

No discurso, que durou aproximadamente uma hora, Lula defendeu as atuais manifestações pelo país, mas criticou as reações contrárias aos partidos políticos. “Não existe exemplo na humanindade que a negação da política trouxe uma coisa melhor. Isso é ditadura. Nazismo na Alemanha, facismo na Itália”, lembrou.

Assim como disse em São Paulo na semana passada, lembrou que em 1978, “quando Lulinha tava com tudo”, costumava reclamar e negar a política por meio de partidos políticos. Na época, fazia parte do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e comandava greves na região. Dois anos depois, disse, estava participando da fundação do PT.

“A desgraça de quem não gosta de política é ser governado por quem gosta. E essa minoria acaba decidindo pela maioria”, disse. Para ele, o político perfeito está “dentro de cada um de vocês”. “Você tem o direito de achar que todo mundo é ladrão. Agora, quando você tiver pensando assim, da forma mais radical, ao invés de desanimar da política, pare. Seja candidato, funde um partido.”

Por Mario Coelho – congressoemfoco.com.br

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