Lula: ajuste fiscal é mais importante que derrubar Cunha

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Lula_valtercampanato_ABrEm discurso à cúpula do PT, durante reunião do Diretório Nacional do partido, o ex-presidente Lula poupou a presidente Dilma Rousseff ao dizer que não considera justo que ela esteja “passando pelo que está passando”. Segundo ele, não há ninguém mais apropriado para superar a crise econômica do que a petista. O ex-presidente ainda disse que a prioridade do governo deve ser aprovar as medidas do ajuste fiscal, e não derrubar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

“Não tem nenhum homem ou mulher que vai arrumar economia mais rápido que a Dilma, porque ela necessita, ela sabe que é importante e é o único jeito de recuperar o prestígio que o PT já teve é recuperar a economia”, disse Lula.

“Não é justo que a Dilma esteja passando o que está passando. Não é justo por ela, pela história dela, pelo caráter dela, pelo que representa para a gente. Em vez de ficar vendo defeito, cada um de nós tem que virar uma Dilma, tem que defender”, completou.

Lula disse ainda que os oposicionistas ao governo no Congresso têm se empenhado para evitar que os planos do Planalto para resgatar a política econômica do país vinguem. “O que interessa à oposição é discutir qualquer assunto e não discutir o que interessa, que é aprovar o que a Dilma mandou para o Congresso”, criticou.

E, ao priorizar o ajuste fiscal em relação a todos os outros possíveis interesses do governo, Lula indagou: “Ou alguém acha que outra coisa é importante? Que é derrubar Eduardo Cunha, discutir impeachment e depois votar o que a Dilma mandou para o Congresso?”.

Obstáculos na Câmara

Nos últimos meses, quanto mais a situação de Cunha se complicava com desdobramentos da Operação Lava Jato, menos o Planalto via seus interesses representados no Câmara. Com a descoberta de que o deputado mantinha contas secretas na Suíça, segundo o Ministério público do país europeu, evidenciou-se a divisão de dois grupos: os que querem a saída de Cunha do comando da Câmara e os seus fiéis escudeiros.  Percebendo o movimento, Lula disse que os parlamentares tem agido com “estranheza”.

“Tem um componente novo que é a força do Eduardo Cunha junto a um conjunto grande de deputados. O Eduardo Cunha disse para muita gente que não lidera aquela quantidade de deputados. Que eles estão é insatisfeitos com a gente. Se é verdade ou mentira, não sei. O dado concreto é que estamos vivendo certa estranheza de comportamento no Congresso”, pontuou ele.

A volta de quem não foi

Após uma influência discreta de Lula no início do segundo mandato de Dilma, ele voltou com toda a força no acirramento da crise política, no fim do primeiro semestre legislativo. Com discursos que sinalizam sua vontade de voltar ao poder, o ex-presidente indica, novamente, que estará na disputa presidencial de 2018. Segundo ele, os próximos três anos do governo da petista serão “de muita pancadaria”, mas os desgastes não serão suficientes para afastá-lo da política.

“Ninguém precisa ficar com pena. Aprendi com a vida a enfrentar adversidade. Se o objetivo é truncar qualquer perspectiva de futuro, então vão ser três anos de muita pancadaria. E podem ficar certos, eu vou sobreviver”, disse Lula.

Família investigada

Com suspeições sobre o enriquecimento da família de Lula desde o início do governo petista, a Polícia Federal, de fato, iniciou uma investigação contra um de seus filhos. Em nova fase da Operação Zelotes, que investiga a influência de organizações criminosas no trâmite de processos e na manipulação de julgamentos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), a PF cumpriu mandado de busca e apreensão na LFT Marketing Esportivo, escritório de Luis Claudio Lula da Silva, um dos filhos do ex-presidente.

“Eu tenho mais três filhos que não foram denunciados, sete netos e uma nora que está grávida. Porra, não vai terminar nunca isso. E me criaram um problema desgraçado. Disseram que uma nora recebeu R$ 2 milhões. Aí vão perguntar quem está rico na família. Daqui a pouco uma nora entra com um processo contra a outra”, ironizou o ex-presidente.

 

Por Gabriele Salcedo  do Congresso em Foco

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