Juro alto ameaça fim de mandato de Lula

Na opinião do cientista social Theotônio dos Santos, “apesar de ser melhor que o Governo FH em muitos aspectos”, o presidente Lula corre o risco de acabar seu mandato de maneira melancólica se não romper com a política de juros altos.
A avaliação foi feita ao comentar a queda de 24% nas exportações brasileiras de eletroeletrônicos em 2009 e a queda de 4,73% ocorrida na Bovespa. Santos minimizou a influência da crise externa.
“O povo brasileiro não perdoa FH pela farra cambial. Hoje, a entrada de capital tem prejudicado seriamente o setor exportador, deixando como única alternativa a compra de reservas, mas isso tem um limite”, alertou, argumentando para o perigo da volatilidade do dólar, que fechou em alta de 2,3%.
“Essas reservas são como as do FH. Na época, o presidente do Banco Central (BC), Gustavo Franco, dizia que fuga de capital era bobagem, que tínhamos US$ 75 bilhões em reservas, mas elas pertenciam aos investidores, que fugiram no momento da desvalorização do real”, lembrou.
Santos avalia que o Brasil caminha rapidamente para o déficit comercial, como nos tempos de FH: “É evidente que essa situação é insustentável, mas é apresentada como política econômica responsável”, ironizou o cientista social.
Ele dá a receita para tirar o país do impasse: “Baixar juros para não atrair mais dólares do exterior. Isso vai valorizar o dólar e facilitar a vida do exportador, inibindo também as remessas de lucro.”
No entanto, a ata do Comitê de Política Monetária do BC (Copom) sinaliza com risco de inflação para justificar juros ainda mais altos.
“A influência do cenário internacional sobre o comportamento da inflação doméstica poderia deixar de ser benigna, conquanto persista considerável incerteza sobre o comportamento de preços de ativos e de commodities em contexto de gradativa normalização das condições financeiras internacionais”, diz o documento fazendo lobby por nova alta dos juros.

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