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Juiz abertamente gay entra para a história nos EUA

Paul Oetken se tornou o primeiro homossexual a ser confirmado para presidir um tribunal federal sem nunca ter escondido sua orientação sexual. Do ‘Washington Post’.
 
A coisa mais notável sobre o que aconteceu no plenário do Senado norte-americano na noite de segunda-feira, 18, foi que o episódio passou praticamente despercebido.

O acontecimento –a nomeação do primeiro juiz abertamente gay para  presidir um tribunal federal – causaria, alguns anos atrás, uma grande polêmica. Mas a nomeação de Paul Oetken foi confirmada sem uma palavra de protesto no plenário do Senado e nenhuma menção dos comentaristas.

Até mesmo alguns dos conservadores mais fervorosos da Câmara votaram pela confirmação de Oetken. Quando o desequilibrado resultado da votação foi anunciado –  80 votos a favor e 13 contra – não houve entusiasmo ou qualquer outro tipo de reação da plateia. Senadores continuaram suas conversas como se nada de anormal ou inédito tivesse acontecido.

Seria prematuro acreditar que a fácil confirmação de Oetken representa uma nova era pós-sexual na política norte-americana, afinal, a luta em torno do casamento gay continua a todo vapor. Mas foi um momento importante. A orientação sexual do candidato foi considerada sem nenhuma importância – ou, pelo menos, menos importante do que sua política moderada e sua reputação pró-negócios (ele foi um advogado corporativo).

“Como o primeiro homem abertamente gay a ser confirmado como um juiz federal,” disse o senador Chuck Schumer (democrata de Nova York) antes da votação, “ele será um símbolo do nosso progresso nas últimas décadas. E mais importante, ele  dará esperança a muitos jovens e talentosos advogados que até agora pensavam que seus caminhos seriam limitados devido à sua orientação sexual. Quando Paul Oetken se tornar juiz, ele será a prova viva para todos aqueles advogados de que a vida está ficando melhor”.

Mas, como Schumer observou corretamente, este pedaço da história foi um “momento tranquilo” para o Senado. O republicano no Comitê Judiciário do Senado, Chuck Grassley (Iowa) deu um breve discurso em apoio à Oetkin, mencionando suas raízes, mas nada sobre sua homossexualidade.

Gays não assumidos provavelmente serviram como juízes federais desde o início da República. E uma lésbica, Deborah Batts, é juíza federal desde 1994. Mas durante a nomeação de Batts perante o Comitê Judiciário, sua homossexualidade não foi mencionada nas audiências de confirmação.

Oetkin, por outro lado, não escondeu sua orientação sexual: seu trabalho com organizações em defesa dos direitos homossexuais e sua coautoria de um relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal criticando uma proposta de lei antigay foram amplamente discutidos. Em sua audiência de confirmação, Oetken também apresentou seu  parceiro a outros advogados.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

 

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