Janot retira os nomes de Dilma e Aécio da lista da Lava-Jato

.
timtA lista com os 54 nomes de políticos a serem investigados pela Operação Lava-Jato menciona a presidente Dilma Rousseff e o senador Aécio Neves. Porém, após analisar o conteúdo das denúncias, a Procuradoria-Geral da República decidiu que as citações não seriam suficientes para uma investigação. Não se sabe ainda se o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, solicitou o arquivamento das denúncias contra ambos.

As citações a Dilma e Aécio foram descartadas por motivos diferentes. No caso da presidente, houve apenas referências ao seu nome, o que não configura um envolvimento direto com os fatos. Já Aécio foi citado em fatos antigos e também não tinha envolvimento direto com o escândalo deflagrado pela Operação Lava-Jato.

A lista foi elaborada com base nos depoimentos dos principais delatores do caso, o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa.

Aécio comemora arquivamento

A informação de que o nome de Aécio será retirado do caso partiu de parlamentares do PSDB. Eles disseram que Janot recomendou ao STF o arquivamento. Aécio, que é presidente do partido, afirmou que o envolvimento do seu nome foi uma manobra do governo para envolver a oposição nas denúncias.

“Não tinha conhecimento, mas recebo como uma homenagem o arquivamento. Houve uma tentativa de envolver a oposição. E, se o procurador concluiu que não houve nada, ele tem a última palavra”, disse o senador.

Segundo o jornal Globo, durante a análise das denúncias contra Aécio, a equipe de Janot cogitou requisitar a abertura de inquérito contra ele, mas concluiu que as referências não seriam suficientes para o Supremo Tribunal Federal (STF) atender ao pedido.

Segundo um dos depoimentos de delação premiada de Alberto Youssef, Aécio teria recebido dinheiro desviado de Furnas no período em que era deputado federal, de 1987 a 2003. Os pagamentos teriam sido feito através de uma das irmãs do senador. Janot considerou a acusação frágil, pois Youssef não sabia dizer nem qual das irmãs de Aécio repassou a verba.

Constituição não permite investigação sobre Dilma

Um dos motivos para Janot sugerir a retirada do nome de Dilma do caso é a Constituição. De acordo com o jornal Estadão, o procurador afirmou que a Constituição não permite que o chefe de Estado seja investigado por atos que não tenham relação ao exercício do cargo. Dilma assumiu o governo em 2011 e as citações são referentes ao período em que estava no Ministério de Minas e Energia do governo Lula, entre 2003 e 2010.

A presença de seu nome na lista fragiliza ainda mais Dilma, que enfrenta uma grave crise econômica no início de seu novo mandato e não tem mais maioria do Congresso Federal. Mesmo os petistas não têm apoiado suas decisões.

Deixe um comentário