Internet, a maior inimiga dos cartieros

Nem o calor nem a escuridão detêm o correio. Mas a internet sim. Da ‘Economist’*.
 
À medida que mais norte-americanos trocam o papel pela internet, o volume de cartas tem despencado. O declínio é mais intenso do que os mais pessimistas esperavam na década passada. Pior, porque o correio tem que fazer entregas em todos os endereços do país – cerca de 150 milhões, com 1,4 milhão de adições ao ano – e os custos estão aumentando em conjunto com o número de residências.  Como resultado, o correio perdeu US$ 20 bilhões nas últimas quatro décadas e especialistas esperam mais perdas no montante de US$ 8 bilhões neste ano fiscal.

E ainda que a recessão tenha tornado tudo pior, a internet é a maior culpada. Assim como os cartões de Natal, as contas também migraram para a internet. Em 2000, 5% dos norte-americanos pagavam suas contas online. No ano passado, 55% haviam aderido à prática e logo todos farão o mesmo. Fotos agora vão para o Facebook e revistas para o iPad. Para os mais jovens, o correio entrega apenas notícias ruins ou aborrecimentos, de convocações de tribunais a malas-diretas. Entregas aprazíveis provavelmente chegam por serviços de entrega como UPS e FedEx.

Semi-independente desde 1970, o correio não recebe dinheiro público algum. Ainda assim é obrigado (enquanto a FedEx e UPS não são) a entregar em qualquer endereço, seis dias por semanas, não importa quão remota seja a destinação. Isto pressionou o preço médio da correspondência de 34 centavos de dólar em 2006 para 41 centavos hoje em dia. Ainda assim o correio não tem autorização para aumentar os preços (de selos, etc.) à vontade; uma lei de 2006 estabeleceu isso. Então, com efeito, o correio ou não pode controlar seus custos ou não pode controlar suas receitas.

Então o correio norte-americano está investigando outras soluções. Planeja-se o fechamento de agências; até 3.653 de cerca das atuais 32 mil. Neste mês foram anunciados planos de demissão de mais 120 mil trabalhadores até 2015, sendo que 110 mil já foram convidados a se retirar ao longo dos últimos quatro anos (perfazendo um total de 560 mil até agora). Ao fim do dia, o correio terá que parar de entregar cartas aos sábados. Em seguida talvez tenha que suspender a entrega em outros dias também.

*Texto traduzido e adaptado pelo Opinião e Notícia

 

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