Institutos de pesquisa: a ordem dos fatores altera o produto?

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Não era mentira. No dia 1º de abril deste ano, conforme noticiado pelo Opinião e Notícia, o instituto de pesquisas Datafolha divulgou o resultado de uma sondagem feita junto a 4.158 pessoas com mais de 16 anos de idade a fim de saber a quantas andam as convicções dos brasileiros acerca das explicações científicas e religiosas para o desenvolvimento da espécie humana. Segundo apurou o Datafolha, a população do nosso país — ou seja, nós — confiamos tanto em Deus quanto em Darwin. Em média, claro. Isso quer dizer que a maioria dos entrevistados acredita, sim, que nós viemos do macaco, mas acredita também que tudo foi supervisionado pela Divina Providência. Mas se você acha que esta é a única pesquisa polêmica feita pelo Datafolha recentemente, engana-se. A outra controvérsia, entretanto, deu-se menos sobre o mérito da questão e mais sobre o método da aferição.

A pesquisa do Datafolha que causou rebuliço na internet — com direito a políticos se digladiando via Twitter — foi aquela sobre as intenções de voto para presidente da República divulgada pelo instituto do grupo Folha da Manhã no último dia 27 de março. O resultado daquela sondagem deu conta de que o tucano José Serra tinha nove pontos percentuais de vantagem sobre a petista Dilma Rousseff na corrida presidencial (36% a 27%). Poucos dias antes o Ibope divulgara números dando conta de que Dilma, e não Serra, havia ganhado terreno, pulando de 25% em fevereiro para 30% em março, ficando a cinco pontos do candidato do PSDB. O método do Datafolha, em síntese, é perguntar primeiro em quem o entrevistado pretende votar, e só depois como ele avalia o governo. O método do Ibope é semelhante. Como explicar então uma discrepância tão grande entre os dois resultados, a ponto de ficar além das margens de erro somadas dos dois institutos?

Pouco depois, no sábado dia 3 de abril, foi a vez de mais um entre os grandes institutos de pesquisa do Brasil entrar na polêmica. A Band veiculou naquela data números do Vox Populi aferidos nos dias 30 e 31 de março que davam Serra com 34% e Dilma com 31%. A diferença de nove pontos percentuais medida pelo Datafolha menos de uma semana antes (entre os dias 25 e 26 de março) havia praticamente se evaporado.

No Twitter, o articulador da campanha de Dilma, Fernando Pimentel, usou os números do Vox Populi para se voltar contra o Datafolha: “Por que todos os demais institutos deram seus resultados parecidos, de três a cinco pontos de diferença, e apenas o Datafolha deu nove?”. E disse mais: “Pode ter sido um novo critério de aplicação, ou mesmo alguma alteração nos questionários. Mas o Datafolha vai precisar se explicar para manter a sua credibilidade”. Do outro lado, o da oposição, o deputado federal Paulo Bornhausen (DEM-SC) disparou, também via Twitter: “Desespero: após o Datafolha, pavor geral na campanha da ex-ministra. Chamaram o Vox Populi para diminuir a diferença”.

A suspeição quanto à pesquisa do Vox Populi foi reforçada pela inconveniente declaração do presidente do instituto, dada dias antes da divulgação dos resultados da pesquisa, de que “se não houver um acidente, não é impossível Dilma ganhar no 1º turno”, e sobretudo por causa da alteração, na última pesquisa em relação à anterior, da ordem das perguntas feitas aos entrevistados. Antes de inquirir sobre a intenção de voto, oo entrevistadores do Vox Populi perguntaram aos distintos cidadãos se eles sabiam quais cargos os candidatos, ou pré-candidatos, já haviam exercido. Isto, dizem alguns, levaria a uma associação imediata entre o nome de Dilma Rousseff e o bem avaliado governo federal.

Nesta terça-feira, 13, o Instituto Sensus tratou de colocar mais lenha na fogueira ao divulgar números que mostram empate entre Dilma e Serra. O Sensus vem sendo criticado por pedir que o entrevistado avalie o governo Lula antes de perguntar em quem ele pretende votar para presidente da República, o que também induziria a resposta de intenção de voto na candidata do PT. E a polêmica sobre se isso é legítimo ou não seguirá até outubro, provavelmente sob o silêncio do até agora imperturbável TSE. Já há especialistas dizendo para o eleitor ficar atento a quem encomenda as pesquisas, alertando que a escolha das amostragens pode ser usada como fator de manipulação.

Caro leitor, você acha que os institutos de pesquisa estão inflando ou deflacionando as intenções de voto neste ou naquele candidato?

Você acha que pode estar havendo uma partidarização das pesquisas de intenção de voto?

As pesquisas influenciam suas opções eleitorais?

Deixe um comentário