Saúde  

Instituto Pitanguy quer usar células-tronco para estética

Por Carla Delecrode e Vivian Vasconcellos – opiniaenoticia.com.br

As células-tronco trouxeram a esperança de cura para doenças degenerativas. Agora, a expectativa é de que elas também iniciem uma nova era no mercado da estética. A novidade é o uso dessas células no campo da cirurgia plástica. O Instituto Ivo Pitanguy, no Rio de Janeiro, realiza um estudo pioneiro no Brasil, que logo deve entrar em fase de teste.

A nova técnica utiliza células-tronco adultas, que são removidas do próprio paciente, por meio de uma lipoaspiração. Em seguida, elas são injetadas no rosto do paciente para promover o rejuvenescimento facial. O resultado é permanente, natural e com risco mínimo de rejeição, segundo a coordenadora da pesquisa e integrante da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Natale Gontijo de Amorim.

“Se conseguirmos dominar as células-tronco, poderemos fazer tecidos a partir das células do próprio paciente, sem problema de rejeição”, afirma Natale. Outra vantagem que a médica aponta é a rapidez do procedimento, que poderá ser feito em 30 minutos.

 Reconstituição de tecidos e outras vantagens

A pesquisadora contou ainda que, com o avanço de pesquisas mundiais, futuramente haverá a possibilidade de as células-tronco serem usadas para fins de reconstituição de tecidos.

 “A longo prazo será possível a reconstituição de um seio totalmente removido (mastectomia) – o que pode ocorrer em tratamentos de câncer de mama –, a renovação da pele de vítimas de queimaduras, assim como a reposição de órgãos que tenham sido bastante danificados, por doença ou acidente”, diz.

Isabelle Dinoire depois de transplante parcial de face e sua aparência atual
Isabelle Dinoire depois de transplante parcial de face e sua aparência atual Para casos como o da francesa Isabelle Dinoire, que teve o rosto desfigurado após ataque de um cão e realizou o primeiro transplante parcial de face do mundo, em 2005, as expectativas são ainda melhores.

“No futuro, em casos como o da paciente francesa, seremos capazes de ‘reproduzir’ o rosto do paciente, refazê-lo como era antes do acidente.”

 Ética x religião

A pesquisadora esclarece que o estudo envolve células-tronco adultas, o que, portanto, não implica na discussão de questões éticas e religiosas, como ocorre no caso daquelas extraídas de embriões.

“Esse tipo de célula também não apresenta risco de efeitos colaterais, como a ocorrência de tumor – o que geralmente ocorre com procedimentos envolvendo células-tronco embrionárias”, afirma.

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