Ingenuidade e memória curta

Por: Rodrigo Constantino* – institutoliberal.org.br
Não são poucos os que passaram a acreditar nas melhores intenções da presidente Dilma com esta “faxina” no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), um dos maiores antros de corrupção do governo. A demissão de vários funcionários ligados aos caciques do PR causou a impressão, em alguns, de que a Presidente pretende fazer uma limpa no governo. Seria a “vassoura” moralista de uma presidente intolerante com a corrupção. E ainda tem quem compre esta tese!
 
Como o brasileiro costuma ter memória curta, é sempre bom ajudá-lo a refrescá-la. Esta mesma Dilma Rousseff, agora presidente, era a ministra poderosa do corrupto governo Lula, aquele do “mensalão”. Foi Dilma quem alçou ao elevado posto de ministra-chefe da Casa Civil sua aliada próxima, Erenice Guerra. Erenice, para quem já não se lembra mais, caiu envolta em escândalos de corrupção e nepotismo. Erenice, para quem já esqueceu, era o braço-direito de Dilma. Erenice, para as vítimas de Alzheimer, estava no dia da posse da nova presidente, como convidada especial da própria.
 
Este recém-adquirido moralismo da Presidente só convence alguém muito ingênuo mesmo. A ajuda que a grande imprensa tem dado a esta imagem até é fácil de entender: estão aproveitando a oportunidade para pressionar uma presidente fraca a tomar medidas salutares contra a corrupção, na tentativa de separá-la da imagem do ex-presidente Lula, sempre disposto a beijar a mão dos maiores corruptos. A própria Presidente pode estar aproveitando isso para conquistar parte da classe média, enojada com os infindáveis casos de roubalheira no governo.
 
Mas não há desculpas para quem realmente abraça a tese da presidente moralista e intolerante com a corrupção. Dilma foi cúmplice de Lula, que foi cúmplice de Delúbio Soares e José Dirceu; todos eles são farinha do mesmo saco. E como minha memória vai mais longe ainda, aproveito para questionar aos que admiram o esforço “genuíno” de Dilma pela moralidade: onde foram parar aqueles US$ 2,6 milhões roubados do cofre de Adhemar de Barros pelo grupo guerrilheiro VAR-Palmares, do qual Dilma fazia parte no passado?
 
Fonte da imagem: Wikipédia

* Diretor do Instituto Liberal

 

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Um comentário para “Ingenuidade e memória curta”

  1. ? Carlos Mauricio disse:

    Sr. Rdrigo Constantino, nunca votei no pt, e jamarei votarei. Seu artigo é rançoso. Caso a presidente Dilma não tomasse as medidas que tomou teria pecado por omissão. Provavelmente aparecerão novas denuncias, principalmente de seu tradicional aliado. Então veremos como ela se comportará. \Quanto ao roubo do cofre do ademar, o rouba mas faz, é inoportuno, tendo em vista, a duvida se ela estava presente.