Imagina nas Olimpíadas!

.
Por Claudio Schamis
.

A Copa do Mundo está aí. Ela já aconteceu, apesar das previsões catastróficas de alguns Nostradamus de plantão. Só para constar: eu não era um deles. Eu tinha certeza de que, assim que puxaram o nome do Brasil em 2007 para ser sede da Copa, ela iria acontecer. Ali foi selada a “compra”. Era naquela época que o gigante deveria ter acordado e gritado: “NÃOOOOOOOOOOOOOO”. Mas quase fizeram um Carnaval fora de época para comemorar. Enfim… E só foram acordar anos depois, quando o governo anunciou um aumento de R$ 0,20 nas passagens de ônibus. O R$ 1 bilhão que talvez fosse custar a Copa não fez ninguém despertar. Muito menos os quase R$ 30 bilhões que acabou custando a “Copa das Copas”. De novo, enfim…

dilma127As manifestações que disseram que iriam ocorrer durante a Copa… cadê? Uma ou outra aqui e acolá, isoladas, e abafadas pela quantidade de turistas e gritos da torcida. Fora — e sem contar — a paixão do brasileiro por futebol e por estar vivendo mais Copa do Mundo aqui no país do futebol e do jogo sujo do nosso governo. Mas isso eles preferem deixar para depois. Agora é aproveitar os telões nas “Fan Fests” espalhadas pelas 12 cidades-sede dos jogos, o carnaval fora de época, e a torcida pelo hexa campeonato. O resto… bem, o resto deixa pra depois.

E as Olimpíadas? Também vão acontecer. Já estão “compradas”. Pode não ser um negócio tão bom quanto Pasadena, mas já está feito. E será motivo de orgulho do PT para cuspir na cara de quem quiser ser cuspido que eles trouxeram uma Copa e uma Olimpíada no mesmo pacote. E que pacote!

Acontece que entre a Copa e as Olimpíadas temos uma eleição, e esse deveria ser o nosso foco: no entre. O antes está aí e o depois, esse só a Deus pertence, mas a gente bem que pode dar uma ajudinha.

Mas e aí? Alguém arrisca um palpite? Eu já nem sei mais. Antes eu sabia — diferentemente do Lula, que disse que nunca soube de nada a respeito do mensalão (até porque isso na cabeça doente dele nunca existiu) –, eu tinha um palpite. Mas agora a única coisa que surge é um gigante ponto de interrogação.

Aí você vai falar que as pesquisas indicam uma queda da Dilma — será que ela pelo menos ralou o joelho? –, mas que os outros candidatos não apontam uma subida significativa e que blá, blá, blá, eu quero tchu, eu quero chá e o lepo, lepo.

Já se você for se basear no “Instituo de pesquisa” do Mark Zuckerberg, o Facebook, você acha que a Dilma praticamente está aniquilada, tamanha é a quantidade de postagens de Fora Dilma, Fora PT, fora também os muitos vídeos com falas de Lula e Dilma dizendo absurdos e abobrinhas. Para reforçar ainda temos as muitas reportagens envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Aí eu pergunto: dá pra confiar?

Eu já até contribuí nessa pesquisa do Facebook, mas depois de tantas eleições eu NUNCA fui agraciado com alguém do Ibope ou do Datafolha me perguntando nada a respeito, aliás, nem a marca de xampu que eu uso. Nada. Eu provavelmente não existo para eles. Mas com toda a certeza os defensores de carteirinha de Lula, Dilma, PT & Cia vão dizer que isso é obra da “elite branca” — assim como foi considerado por Lula o xingamento à presidente Dilma.

Mas isso não é preconceito? Elite e branca ainda por cima. Daqui a pouco vão começar a debater sobre a criação de cotas para negros adentrarem nessa elite. Esquece o governo que a elite não escolhe sexo, cor ou religião. É a situação que leva a pessoa a se inserir na tal da elite. Mas está ficando cada vez mais difícil conseguir essa inserção.

Existe também a possibilidade de acusarem uma única pessoa de com um perfil “fake” no Facebook estar produzindo o terror — pode ser até que me acusem de ser esse tal de “fake” –, mas vamos conversar que até agora o único “fake” que conhecemos e reconhecemos como sendo legítimo é o próprio governo, que desde os primórdios tempos do Lula mostra ser uma coisa que não é e nunca foi.

É claro que aqui vou me permitir abrir um parêntese ou uma aspas (o sinal de pontuação que se chama aspas é um substantivo feminino grafado sempre no plural. A palavra ‘aspa’ (grafada no singular), de acordo com o dicionário Larousse, significa instrumento de suplício em forma de X), e deixar registrado que nem tudo foram espinhos no governo. Fizeram umas coisas legais e não posso ser leviano nesse ponto.

Mas e esse tal legado de outras coisas feitas pelo governo, especialmente para a Copa, que a presidente Dilma diz que irá ficar para nós e que nenhum turista irá levar, vai realmente servir para alguma coisa? Um estudo já apontou quatro estádios que podem virar verdadeiros “elefantes brancos”: o Nacional, em Brasília, a Arena Amazônia, em Manaus, a Arena Pantanal, em Cuiabá, e o Estádio das Dunas, em Natal. Isso porque o estudo aponta que a média de público das séries B, C, e D contrasta com a capacidade de cada um dos estádios. Ou seja, com um custo alto não será possível sustentar por muito tempo um estádio desses no Padrão FIFA. Com o tempo a coisa vai se deteriorando, deteriorando, e quando abrirmos os olhos o estádio estará podre. Para que fazer tantos novos estádios? Acho que nenhum outro país fez tantos estádios quanto nós para receber uma Copa. Já estou até vendo que, no desespero, vão começar a fazer shows nos estádios, e quem sabe até organizar campeonato de botão. Mas com um deles haveria uma solução. Convocar a classe política toda para o Nacional em Brasília e implodir o estádio com tudo dentro. E que me desculpem os bons políticos — são poucos –, mas isso é o que se chama de dano colateral, e poderíamos começar do zero.

Ou se achar muito radical, levanta a cabeça e protesta, eliminando os ratos nas próximas eleições.

É o que nos resta.

Salve as baleias. Não jogue lixo no chão. Não fume em ambiente fechado.

Deixe um comentário